Publicado por: Peterson Espaçoporto | Julho 3, 2009

A Bota

<conto>

O dia no parque não podia estar mais bonito. O velho homem andava por entre as árvores, despreocupado.

Despreocupado – por pouco tempo.

Ele olha para o alto e sua surpresa é tanta que o impede de falar.

No céu azul, uma mancha marrom voava lenta e solenemente em direção ao planeta. A mancha ficava maior e maior, e aos poucos a forma se definia: os cadarços, a sola: era uma bota.

Uma bota gigante.

O homem ficou parado; não havia nada que pudesse fazer e, ainda que pudesse, nada faria. O que ele estava vendo era tão, tão, tão – mas tão – impossível, inviável – não tivesse a palavra outro sentido, seria também invisível!!

Embora ele repetisse para si mesmo que aquilo é o tipo de coisa que não acontece – que não podia acontecer – a agora grotesca bota chegou perto o suficiente pra provar que ele estava errado.

A bota chutou o planeta.

Puta que o pariu.

O homem imediatamente foi jogado pra trás, batendo com força numa árvore próxima. Ele soltou um berro rápido de dor antes de olhar com mais calma a situação.

Latas de lixo – o próprio lixo que antes estava nelas – roupas, um cachorro, folhas e mais folhas de árvores passavam alucinadamente pelo céu em uma torrente louca de objetos os mais diversos.

Em pouco tempo, em meio àquela loucura, o aventureiro – embora não o fosse por opção – percebeu que foi jogado na árvore, mas de maneira alguma havia uma força que o mantivesse lá. Ele se mantinha lá. E logo teria que sair…

Um grupo de pessoas passou voando pelo lugar. O homem criou coragem e deixou-se levar pelo vento.

No início foi um descontrole total: era difícil entender a dinâmica daquele vendaval, mas ele foi capaz de se controlar, e, talvez por sorte, talvez por recém-adquirida técnica, chegou ao grupo.

Muitos deles pareciam tranquilos; apenas um ainda se contorcia e, amedrontado, balbuciava coisas. Como não entendia o que ele dizia, o nosso peregrino arriscou fazer contato.

- O quê? – perguntou, tentando entender.

- Deus! Foi um castigo de Deus, ai meu Deus, ai meu Deeeus… – berrava o agitado jovem. Havia uma mulher de longos cabelos ruivos ao lado dele, que abriu um sorriso.

- Como algo assim pode ser um castigo, Juca – disse ela, de olhos fechados.

Os corpos de todos giravam e giravam, mantendo-se próximos. Ela, no entanto, não parecia desesperada com a temporária – ou quicá permanente – suspensão de todas-as-coisas. Ela estava, como dizer… Zen?

- Vocês viram aquela bota? Foi a coisa mais louca que eu já vi! – comentou um rapaz de barba que também sorria enquanto tentava alcançar qualquer tipo de equilíbrio naquele furacão de insanidade newtoniana.

- É Deus, foi Deus… Foi um castigo! – dizia o jovem, que parecia estar choramingando – o que mais podia ser aquilo?

- Nossa imaginação, nossa cabeça… – disse a mulher, ainda curtindo a situação.

- Isso aqui não existe?! – perguntou, com uma pitada de ironia nervosa, o religioso.

A mulher deu mais uma risadinha e abriu os olhos para o céu azul. Para o céu e mais algumas coisas que voavam ao redor e acima dela, como um sofá velho, um garfo e um banco de praça.

- Pode ser nossa cabeça colocando o mundo fora dos eixos…

Publicado por: timoteopinto | Março 7, 2009

Crítica do Discordianismo Puro

por Ari Almeida

Eu sou chato & Você é chato.

Quem disse isso foi um cara que não é chato. Seth Godin, o marketeiro número um da Internet. Certo, ele estava se referindo principalmente ao gerenciamento de Marcas & Produtos, mas não só. Ele disse: Se você não está discutindo seus produtos, seus serviços, sua causa, seu movimento ou carreira, a razão é que você é um chato. E provavelmente é um chato de propósito. Porque é mais seguro. Seus produtos (ou suas idéias) são chatos porque você faz o que o mercado (ou seus amigos, ou seus leitores, ou até mesmo suas convicções) quer ou espera. Ser notável custa tempo & emprenho, mas o mais importante: ser notável custa a coragem de errar.

Quem mantém um blog deveria saber quando está sendo chato. Eu mantenho (ou mantinha?) e admito que estou sendo um chato. Não 100% do tempo, espero, mas a maioria, com certeza. Se eu fosse realmente notável, o delinquente.blogger seria um dos blogs mais influentes da da blogosfera brasileria e sabemos que não. Bom, sou chato, mas não sou burro.

Mas sou mala. Tenho lá minhas suposições sobre o que é um texto que presta, quem é a aundiência do blog e o que ela espera. Procuro os textos mais impactantes, contanto que eles tenham o mínimo risco de afugentar o leitor fiel. Os posts sobre os assuntos que o máximo de leitores do blog possam se interessar. Aposto no seguro, covardemente.

Reconhecer que se é chato já é um começo, logo, começei. O pior chato é o que não se enxerga. Eu quero mudar o horror! Bora então, senta que lá vem a história.

Era um vez um post no delinquente ponto blogger que continha um capítulo de um livro de C.G. Jung. Como faz anos que bato de frente com Janos Biro sobre questão materialista e principalmente sobre a crítica dele com relação ao simbolismo, mandei o texto por e-mail e propus um debate. Compartilho com vocês aqui a resposta que obtive.

Olá

Quer dizer que você ainda está vivo. Que coisa.

Ari, eu não aprecio as tensões dialéticas, por mais que eu não consiga evitar um debate, não agrada ter que participar de um. De fato, me incomoda. Lembra do senhor Miagui? Ele é um mestre de caratê que odeia lutar. Como eu.

E eu não tenho muito que discutir com Jung. Não sou um iluminado, para mim não me importam as luzes da razão humana. Aqui está um cara dizendo que há uma parte desconhecida da mente, e ao mesmo tempo fala dela como se a conhecesse melhor que ninguém. E se eu não me apego a essa tese, é porque tenho medo do que é novo. Ao contrário, me parece que a síndrome mais marcante da modernidade não é a neofobia, mas a neofilia. A modernidade é uma reação à tradição, e por isso talvez o nosso caro amigo Jung ainda pense que seja uma coisa terrível desconfiar das maravilhas da ciência moderna.

Não estou discordando da sua tese central. O que eu penso é que se há uma mentalidade típica da sociedade tecnocrata, esta inclui como valor central a inexistência de verdades, partindo do pressuposto cartesiano que devemos duvidar de tudo. Eu duvido disso. Eu creio em verdades profundas, transcendentais, bem fundamentadas e consideravelmente estáveis. Se eu não cresse, eu estaria patinando no gelo. Você diz que não há nada pior que uma convicção, mas não coloca isso em dúvida. A falta de orientação pode ser pior.

Janos

O puto deixou o Tiro Na Boca Com Muito Amor & Carinho por último. Um discordiano de presto soltaria uma gargalhada na frase anterior, a das Verdades Profundas e nem repararia na frase final, as gargalhadas impediriam, tal qual um ponto cego. Mas é aí que está o Grande Abacaxi Cósmico que vou propor que descasquemos.

Nós, discordianos, caoístas, leitores de Robert Anton Wilson, Lúcio Manfredi e quejandos, costumanos nos gabar com muita pompa que não temos crenças (toda crença é uma prisão), mas sim, olha que style, meta-crenças. No entanto um questionamento se faz necessário. O que ganhamos com isso? Não somos dogmáticos, logo, estaremos sempre longe de fundamentalismos vãos e da fila para vagas de homens bomba. Certo. Nosso intelecto estará sempre aberto a novos conhecimentos, posto que não descartamos idéias conflitantes. Certo também. Nos divertimos muito com a tosquiçe dos proprietários de convicções, rará, otários, nós somos superiores. Certo?

Certo? Hã? Se eles são uns otários, não seríamos nós um bando de babacas pedantes?

Vou mudar o formato e até mesmo o enfoque da pergunta para tentar deixar mais claro o ponto em que quero chegar e o desafio que quero propôr. A ausência de configurações nos torna pessoas mais Felizes & Realizadas?

Vou ser franco aqui, ficamos posando de Sétimo Circuito enquanto na verdade estamos chafurdando num lamaçal de terceiro circuito. Não basta apenas uma compreensão intelectual do conceito de meta-crença. Assim sendo caímos naquilo que nosso tão estimado Nietzsche, o Bigode, alertava. O conhecimento pelo conhecimento que não leva a nada além do vazio absoluto, o niilismo em sua forma mais perniciosa. Enquanto não realizarmos uma mudança de consciência, não seremos pessoas Felizes & Realizadas & Cools. Uns Coolzões, no máximo.

Mas a premissa inicial era deixar de ser chato, não é mesmo? E tem coisa mais chata do que um reclamão, que reclama, reclama, reclama e não apresenta nenhuma proposta? Pois bem, já cheguei no ponto em que queria chegar, então agora vou propôr o desafio que falei antes.

Uma vez Marcelo Adnet, no seu Quinze Minutos da MTV citou uma anedota antiga em que, discutindo os méritos e deméritos do funk carioca com um conhecido, ouviu essa jóia:

- Pessoas que gostam de funk são mais felizes.

Com essa frase em mente, observe uma micareta. Ou então um pagode em uma laje qualquer. As festas de peão boiadeiro e seus bailões sertanejos. Uma gafieira regada a brega rasgado. Assista um DVD do Tchê Garotos. Mas sempre com a frase do Adnet em mente, apenas trocando o funk pelo rítmo observado. Robert Anton Wilson costumava dizer que era saudável ler artigos com visões políticas e ideológicas diferentes das nossas, beleza, só que considero esse exercício fácil de mais, pois ele lida com o intelecto, sempre mais maleável, ainda mais que temos posse do conhecimento da existência das meta-crenças. Com música a coisa se complica, pois ela lida com as emoções de segundo circuito.

Pois bem, após essa introdução inicial, vamos ao desafio propriamente dito. Escolha seu ritmo, estude-o e baixe os discos mais relevantes e durante um mês escute somente ele. Escute bastante, coloque que em seu mp3 e escute no ônibus, no caminho de casa ao trabalho ou escola, faculdade, o que seja. Decore as letras, em seu quarto tente dançar. Pesquise na net informaçòes sobre os cantores ou bandas. Conheça o assunto em profundidade. Durante um mês, a cada fim de semana, frequente baladas onde tocam esse ritmo.

Esse exercício é interessante porque além de mexer com as emoções de segundo circuito, numa dessas, quem sabe, de repende, vai saber, numa dessas baladas você pode conhecer alguém totalmente fora de suas expectativas, ser surpreendido por essa pessoa e dar uma boa chacoalhada no seu quarto circuito.

Eu por exemplo estou fazendo isso com música sertaneja, para o infortúnio de meus colegas de trabalho. Começei assim, toda a tarde faço meu prézinho de sertanejo no trampo, ouvindo 101.5 Clube FM aqui de Curitiba e vou anotando o nome das duplas e as músicas. Depois baixo os discos, ponho no meu MP3 e vou escutando no caminho de casa enquanto leio meus Nietzsches e Jungs nos buzuns que pego, são três. Vocês não imaginam a experiência sensorial que é ler Aurora ao som de Hugo Pena & Gabriel.

Já sou até fã de alguns, tenho minhas preferências. Guilherme & Santiago, Mateus & Cristiano, César Menotti & Fabiano, Gino & Geno. Claro, não precisa ouvir tudo, afinal, gosto de rock e nem por isso gosto de Snow Patrol ou Death Cab for Cutie. Nem com o caralho, mas nem fodendo vou escutar um disco do Daniel. Quer dizer, fodendo, dependendo da mina, talvez. Mas de livre e espontânea vontade, nem a pau. Chitãozinho & Chororó eu também não tchuns.Mês que vem vou comprar a indumentária pra causar mais nas festas, chapéu, cinto maneiro, botas estailes e um jeans invocado.

Publicado por: timoteopinto | Março 3, 2009

Koan do mamão solitário

ou
O Bater da Palma de um Mamão

traduzido e contextualizado por Pedro Parrachia

A muuito tempo, num templo kennin havia um mestre chamado Mokurai, o Trovão Silencioso. Ele cuidava de um garoto de doze aninhos chamado Toyo. O moleque todos os dias via os discípulos mais velhos visitarem o mestre fora das aulas, todas as manhãs, todas as noites. Tanto para receber instruções pessoais de sanzen, como para pedir ajuda a driblar obstáculos e resolver problemas como teoricuzices e frescuras do gênero. E todos eles recebiam koans difíceis e misteriosos para pensar no caminho de casa.
(porqua naquela época não tinha ônibus nem propagandas no caminho)

Dai, o guri quis fazer sanzen, também.
(soou legal nea?)

“Não,” disse Mokurai. “‘Cê ainda é muito cabaço.”

Anoitecendo, o moleque foi até a porta da sala de sanzen do cara e bateu no gongo avisando que tinha chegado, como nada aconteceu e havia gostado do barulho, ele deu umas porradas bem altas na merda do gongo até o velho acordar irritado e amaldiçoar 5 gerações futuras do guri.

Tendo o chamado antendido, fez 3 reverências e entra, senta e fica com uma cara de bicho de pelúcia pedindo por favor. O mestre aceita ensinar ao pentelho e começa:

“Você sabe o som de duas mãos quando elas batem uma na outra, mas me diga como é o som de uma mão.”

Não, ele não bateu punheta. Ao invés, reverenciou de novo o coroa e foi pro quarto dele pensar naquilo tudo. Olhando para a mão ele pensa, “Puta merda, 5 gerações…”. E nonada ele ouviu de sua janela o uma gueisha cantando, mas seu canto era esquisito, era como se estivesse com alguma coisa na boca… “Ah, deve ser isso!” concluiu ele.

Na noite seguinte, quando o mestre pediu prele ilustrar o som de uma mão, Toyo começou a imitar os sons da geisha.

Assustado o velho pergunta “É esse o barulho que você faz quando… Você andou se masturbando, seu pestinha?!”

Aturdido e sem saber o que “gemer como uma vadia” significava, resolveu ir num lugar mais calmo para meditar. E meditou. “Como diabos é o som de um mamão?”. E aconteceu dele ouvir o barulho do rio correndo.

Na noite seguinte ele imitou o barulho do rio pro mestre.

“Quê? Não ‘leque, isso é barulho de água.”

Em vão o guri meditou. Ele ouviu o barulho do vento, que foi rejeitado. O choro de uma coruja, grilos, e ele não desistia.

Por vinte e três vezes ele visitou o mestre com sons diferentes. Todos mó viagem. E ficou assim por quase um ano.

Mas um dia, nonada, o pequeno grande Toyo conseguiu entrar num profundo estado meditativo e transcendeu todos os sons. “Já não havia mais nada pr’eu chutar” ele explicou depois, “então me veio na cabeça o som sem barulho.”

E ele descobriu o som de um mamão só.

História

Vossa Reverendíssima Santidade Majestade, =Papa= Reverendo Rafael Luis Apscal Rasputin Dionisio Trimegisto Beraldo, Guardião do Sagrado Cao, Alto Sacerdote (ou Polipadre, dependendo da intimidade) da Cabala Cavalo-de-pau de Éris & Tzara, cinco vezes Campeão do Mundo no Torneio Mundial de Tetris em Stalingrado, conhecido como “O Reverendo do Escrever na Areia (por ter traduzido o Principia Discordia para o Sânscrito, o Árabe e o Hebreu, depois escrevendo-o na areia, onde até hoje permanece)” no Oriente Médio, e como “O Papa que MUgia” entre zen-budistas de todo o mundo, amigo pessoal do Atual Dalai Lama, para todo o sempre, estava Viajando & Conjecturando durante uma Aula de Matemática, quando resolveu montar um país em seu quarto.

Em pouco tempo ele estava devidamente divulgado, com uma Carta Constitucional praticamente finalizada, etc. O monarca começou a estruturar seu país, distribuir cargos, cunhar moedas, comprar livros, colocou redes de internet sem fio por todo o território nacional, água encanada, áreas de diversão, filmes, enfim, fez a infraestrutura básica do país, bem como favoreceu fatores que poucos países possuem.

Independência

Quando a República estava Devidamente Formalizada, nosso Rei proclamou a independência do país das terras brasileiras ao 51° dia do Caos de 3175 YOLD. A independência teve repercussão mundial, especialmente entre os discordianos, que rapidamente reconheceram a nova nação.

Burocracia & Nacionalismo

A República de Avignon possui uma singular visão sobre o nacionalismo; apesar dele ser cultivado num certo nível, é combatido em todas as Escolas Estaduais, numa atitude claramente discordiana. Sobre o nacionalismo, dessa forma, nos resta dizer que o país já possui um brasão, bem como um hino está sendo produzido. Abaixo, representação do brasão:

republica-livre-eristocratica-monarquista-absolutista-anarquista-d_avignon

Cultura

A cultura da República d’Avignon é formada de forma antropofágica: com influências principalmente brasileiras, porém um toque da vanguarda que ainda está por penetrar na cultura geral. A Música é um dos principais motores do Estado, ainda que não haja Estado, mas estado de espírito, ao menos, é algo entre o sonho & a melancolia.

O Rei é um escritor, o que faz com que Avignon possua uma tradição literária muito forte; a Biblioteca Nacional, em função da pouca idade da república, é ainda muito limitada, mas a tendência é um crescimento rápido.

Economia

Avignon está entre as menores economias do mundo, com um PIB de aproximadamente P$ 200,00; como um país recém-formado, está consolidando sua economia, mas a espectativa é que o grande produto de exportação seja a cultura singular produzida no país.

Interessante notar que o país ainda necessita de serviços básicos como água, energia, esgoto etc. que são comprados do Brasil num acordo extra-oficial.

A moeda corrente é o Puto, representado pelo símbolo P$; é cunhada a mão pelo própriO Rei, enquanto este busca formar o Banco Central de Avignon. Para efeito de comparação, no 52° dia do Caos de 3175 YOLD, um puto valia o equivalente a cinco dólares estadunidenses, o que demostra a absurda solidez da economia, ainda que esta seja emergente.

Família Real

Uma das coisas mais interessantes sobre a República é que, não importando seu caráter anarquista, que de fato prevalece, existe uma família real, no momento composta apenas pelo rev. Beraldo.

Obter Cidadania

Apesar de ser uma República ainda um tanto fechada, em função das limitações geográficas, O Rei se compromete a pesar todos os pedidos de cidadania. Para isto, basta enviar um e-mail para rafaelluisberaldo@gmail.com, com o assunto como ‘‘Pedido de Cidadania em Avignon’’, levando em conta os seguintes pontos:

  • Deve haver um pedido formal da obtenção de cidadania, constando (principalmente) os motivos pelo qual o sujeito clama por ela;
  • O sujeito deve ter conhecimento prévio do funcionamento intrinsecamente caótico do desEstado, deixando explícito que conhece o funcionamento deste;
  • Deve constar um endereço (físico) para o possível envio dos documentos. O Rei possui o direito de cobrar um Valor Simbólico pela impressão destes papéis pelo Banco Central.

Seguindo estas recomendações, a obtenção de cidadania será muito mais fácil. Portanto, atente.

Religião

A  religião oficial da República de Avignon é o discordianismo; dessa forma, todas as formalidades desta religião foram incorporados pelo Estado. Interessante notar que a principal diferença que os visitantes sentem é a inexistência do calendário gregoriano; o tempo é, sempre, e obrigatoriamente, dado segundo o calendário discordiano.

Turismo

O turismo ao país é, ainda, vetado por motivos geográficos, bem como limitado aos amigos do rei. Aqueles que quiserem fazer uma visita, conhecer a Família Real, etc., podem agendar pelo e-mail rafaelluisberaldo@gmail.com, porém sem certeza alguma de que conseguirá a visita.

O país, porém, irá considerar qualquer pedido de asilo político, religioso, militar etc. Também irá considerar qualquer pedido de alguém que esteja de alguma forma necessitando de uma pátria. Quando a República de Avignon expandir seus territórios, se compromete a aumentar, progressivamente, o fluxo do turismo, bem como ser mais amigável quanto a obtenção de cidadania.

avignon.wordpress.com

 

 

Publicado por: Peterson Espaçoporto | Fevereiro 7, 2009

Deixem o Phelps fumar!

Um estardalhaço foi feito recentemente porque o nadador Michael Phelps, cheio de medalhas olímpicas, aparentemente fumou maconha – ou alguma outra droga ilícita e muito, muito malvada.

Aí começou o inferno pra ele: a mídia caiu em cima, o patrocínio caiu fora, as mães e os pais de família caíram pra trás e as criancinhas que o idolatravam agora se decepcionaram com ele.

Pois eu digo uma coisa: se decepcionaram e continuarão a se decepcionar eternamente com seus ídolos de carne e osso enquanto esperar que eles sejam perfeitos. A decepcão é o fruto natural e perfeitamente lógico da idealização, da vontade romântica da não-maculação, da criação de ídolos usando como matéria-prima pessoas como todos nós, que temos qualidades sim, mas também defeitos.

Por que o Ronaldo a.k.a. ‘fenômeno’ merece sim admiração e o título de “herói” na visão de muitas crianças? Porque foi o maior artilheiro de todas as copas? Não. Bom, talvez sim se a criança for um jogador de futebol, mas pro ser humano normal ele é sim “o cara”: o joelho lá ficou todo fudido, e ele estava na época praticamente no auge da carreira. Com o dinheiro que ele provavelmente já tinha, ele podia se aposentar, ir fazer outra coisa, se tornar técnico ou dirigente de algum clube, viver da publicidade ou das ações. Mas não. O amor dele pelo futebol o fez superar isso, e a determinação dele pra voltar pra mais uma copa e se tornar o maior artilheiro delas foi algo impressionante. E então agora que ele está gordo, anda confundindo mulheres com travestis, fumando e abandonando seus supostos times do coração, ele não merece mais respeito? Qual é! E tudo que ele foi, isso simplesmente se apaga?

Pois eu digo que não, não se apaga.

As pessoas erram, mas mesmo assim ao invés dos admiradores do Phelps se mostrarem solidários a ele – e acharem até mesmo natural que ele não seja, afinal, perfeito – não é isso que ocorre. Julgam-no como se fosse um monstro, dizem que o que fez foi uma vergonha, não entendem “como uma pessoa assim pode fazer uma coisa dessas”. E se decepcionam.

Gente, ele não é feito de mármore. Acordem.

Nossa cultura não gosta de heróis reais. Eu vou além e digo que não apenas são tão bons quanto os ‘fantásticos’, como são ainda melhores: estar perto dos seus heróis é como estar perto do Rei Arthur e ajudá-lo a combater seus inimigos. Estar perto de seus heróis e conviver com suas fraquezas é também a oportunidade de ajudá-los a superá-las tanto quanto vc também quer superar as suas (ou conviver melhor com elas, sei lá). Ter heróis reais e tratá-los assim, como pessoas que tem coisas admiráveis e não como semi-deuses gregos, isso é, pelo menos pra mim, mais saudável do que achar que uma pessoa que é boa em alguma coisa tem que ser boa em tudo. E esperar isso dela.

Publicado por: timoteopinto | Janeiro 16, 2009

Éris ou Desordem

por A.Moraes

I.

-Estava vivo em vários pontos quando achei… falando assim, sem mais nem menos, carece de sentido dizer…

Esfrego os olhos com os nós dos dedos tentando desfazer a névoa que se formou neles de repente. A sala obscurecida não colabora para meu entendimento do filme e me forço a lembrar que o dinheiro gasto na entrada está incluso na coluna “despesas” da nota que vou mandar ao cliente no fim do trabalho.

O homem, por causa do amor incondicional que nutre pela mulher, atende seu pedido e a parte a machadadas na tela. Qual o sentido disso tudo? A imagem granulada daria a impressão de filme antigo e talvez fosse essa a intenção do diretor, resgatar de alguma forma simbolismo e nostalgia daqueles filmes de arte sem pé nem cabeça dos 60-70, obrigando a audiência a associar a imagem de baixa fidelidade ao nonsense então corrente.

Mas isso ainda não justifica minha presença aqui. Há alguns minutos juro que saberia dizer. O volume de informações que tenho acumulado e a cena na tela, no entanto, me deixam com mais dúvidas agora do que antes de ter me envolvido com a investigação. Era a respeito de outra pessoa mas agora é também sobre mim mesmo. Era para conhecer o inimigo, suposto, de meu cliente, mas tornou-se em autoconhecimento. Minha clareza a respeito da investigação perdeu-se e tenho como novo objetivo encontrá-la. Entrei aqui porque meu objeto de pesquisa também o fez. Ou me mandaram vir. O homem cuja mente se confunde agora com a minha.

Artur.

Era outro lugar.

Sim, sem dúvida.

A mulher, inteiríssima, cruzou as pernas bem no alto e escorregou a bunda para a beira do assento acolchoado da cadeira, dando uma noção excessivamente quente de si mesma e sorrindo abertamente ao notar que precisei ajeitar a recém-adquirida ereção dentro das calças antes de falar. Isso é o que chama de comunicação não-verbal em seu ápice.

Na tela, o homem sussurra encostando o olho do machado em sua testa, os joelhos das calças escurecidos pelo sangue da mulher. Me faz lembrar de um porco no abatedouro, mas ignoro o motivo.

Deixou mesmo de fazer sentido.

Mas acho que está por aí, andando de mãos dadas com a clareza que já tive.

O tempo, claro.

A única coisa que tem mantido separados passado, presente e futuro é uma noção verbal arbitrária que tenho de quando a palavra “eu” fazia mais sentido.

Esperei de todo coração que ela tentasse me seduzir mais obstinadamente. Foi em vão. Depois de deslizar seu rabo pela cadeira, foi direto aos negócios.

O homem aponta o machado para o próprio rosto. Está em pé, pés separados de modo que o movimento pendular se inicie entre eles e se encerre entre seus olhos.

O que ela queria?

Artur não está aqui. Estou sozinho na sala de cinema que não é mais cinema, é meu apartamento e a tela que reproduz o filme é a tevê acoplada ao dvd player.

“Represento o Rei Lagarto.” Ela sibilou.

O homem tomba sobre seu próprio sangue. O suicídio mais risível que tive chance de assistir.

“É uma forma de inteligência definitivamente mais avançada que a sua.” Disse, sem despregar os olhos dos meus.

Sorrio.

“Um alienígena?” Perguntei, sem pestanejar e notei que, sem os óculos escuros, ela estava com os olhos fechados mas não precisava abri-los pois tinha pálpebras transparentes.

Do crânio partido ao meio escorre um pequeno rio vermelho com fragmentos de branco e cinza dando-lhe vida.

“Só antigo.” Ela continuou e notei dentes pequeninos e pontiagudos. O que ela é? O que quer de mim?

Em dúvida quanto ao significado disso tudo, acendo algo similar a um cigarro e só paro de tragar quando absorvo a fumaça da tinta evaporada da caneta.

Artur entrou nesse momento no escritório.

Artur entra neste momento na sala.

Estava armado.

Está armado.

“É uma máxima de Chandler” disse apertando o gatilho e mandando a mulher lagarto embora numa nuvem de escamas translúcidas.

“Você também foi infectado?” me pergunta e atira em meu peito para ter certeza. Por uma fração de segundo sinto o ar invadindo minha caixa toráxica mas a sensação passa.

“Ainda não” ele disse, quando tentei alcançar minha arma na gaveta da mesa.

“Ainda não”, diz ele e sorrio idiotamente, aliviado por perceber que não morri.

Então desaparece/u.

II.

Tentando catalogar itens em número suficiente para descolar um nome meu. Vasculho o apartamento e pela primeira vez penso na possibilidade de que não seja meu apartamento. Por que estaria vasculhando, então? Alguém teria notado minha invasão? Chamariam a polícia?

Eu chamei. Eram só três números e o disco do aparelho de fácil manuseio. Dei o endereço e disse com minha melhor voz de suspense: “Uma mulher foi morta no meu escritório”.

Encontro penas espalhadas no quarto. Guerra de travesseiros ou mais um assassinato bizarro? Uma mulher-pássaro, talvez? Uma coruja bate suas asas lá fora em algum lugar e não tenho idéia de onde a informação veio.

Os policiais me perguntaram se eu estava de saída para o trabalho noturno quando chegaram e, ao responder que não, eles deram risadinhas contidas. O mais velho socou o ombro do mais novo e disse que ele curtia um bom rabo travestido.

Alguém fazendo adivinhação com entranhas frescas no box do chuveiro esqueceu de limpar a sujeira que encontro. Procuro por um padrão que não está lá.

O mais novo disse que os prefere depilados. Perguntaram da tal mulher assim “E a tal mulher?”. “As escamas ainda estão por aí”, respondi. O mais velho, obsceno, notou que as únicas escamas no ambiente eram as da minha saia e percebi que estava sentado com as pernas cruzadas bem alto. Sem meia-calça.

Relaxo. O box do apartamento que não é (?) meu é minha última preocupação quando enxergo pela primeira vez através da parede.

O mais novo levou a cantada adiante. Achei impossível resistir a seu charme de macho uniformizado, armado e escroto. O mais velho sugeriu um ménage ‘a tróis. Declinei, mas dei um jeito de rabiscar rapidinho “me liga” num de meus cartões e passá-lo discretamente ao garoto.

Porque ela não está mais lá. Ruiu. Percebo que o banheiro, parede a parede, como numa explosão cujo ponto zero é o lugar onde me encontro, desapareceu, as demais paredes também, da sala, dos quartos. Dominó.

“Bela bunda”, ele disse, deslizando a mão calejada sobre minha saia de couro de cobra enquanto saía.

Agora o teto. Agora o chão. Vejo só os móveis, inclusive os embutidos. Isso deve facilitar minha busca, pelo menos é o que acho.

Então se foi com seu parceiro. Uma mulher assassinada a menos para investigar. Havia mulher? Primeiro havia, depois não e então eu. Mas todos ganharam algo com esse encontro.

Então tento lembrar o que procuro. Junto letras. I. D. Até os móveis desaparecem.

Esperava que ele me ligasse. Me sentia como um adolescente, com toda uma vida de novidades e experiências pela frente e meu novo amigo policial era só o começo.

Vácuo branco é o que resta. Não há espaço externo, dia-noite-prédio-rua-bairro. Só vazio.

Talvez uma relação com um homem de verdade me ajudasse a encontrar-me. Mas estava repleto de dúvidas e precisava me depilar com urgência. Um banho de banheira com sais aromáticos estava na ordem do dia.

Então não noto o cachorro correndo na alvura da cúpula celeste. Ele é branco e só o percebo porque fala comigo. Torna-se impossível ignorá-lo. É mais branco que a brancura que nos cerca. Está ali?

Afundei até o nariz na água morna e me senti limpo, relaxado e sexy. Fiz borbulhas expirando com força e ri um risinho agudo de criança.

“Alô, você!” ele diz. “É o quinto que vejo nos últimos minutos! Já encontrou?” Pergunto do que ele está falando.

Deslizei a mão sobre minha pele coberta de espuma e, entre minhas pernas, encontrei a ereção desaparecida com a mulher-lagarto. Me acariciei, acompanhando o movimento da água e gozei na banheira. Pensei na mulher, mas também nos dois policiais.

“Seu osso, é claro! As pessoas que perdem o osso sempre vêm procurar aqui…” Penso em perguntar novamente mas me dou conta de que ele abana o rabo com tanta felicidade que só pode mesmo ser um cão.

O mais velho tinha a mão de marreta dentro de uma luva cirúrgica e lambuzada de vaselina e dizia que queria checar minhas cavidades corporais. A idéia de ser modelo de Mapelthörpe me excitou.

Acaricio sua cabeça, ele lambe minha mão, dá uma daquelas fintas que cães dão quando querem brincar de pegar e sai correndo. Pisco.

O mais novo usava só o quepe e o cinturão com arma e cassetete pendurados, além das botas. Versão mais nua de um integrante do Village People.

E tudo se dissolve.

Artur pediu que me levantasse do chão. Disse que eu estava dando vexame e que me masturbar dentro de um chafariz em praça pública era um jeito estranho de chamar atenção.

Em pé parado na esquina do mundo, observo a seta que diz “siga a seta” e continua fixa no lugar. Deve ser um troço zen. Fico parado onde a seta está e olho na direção que ela indica. Num ponto distante, vejo um homem aproximando-se.

Ele sorriu.

É Artur.

“O futuro é o presente apenas alguns segundos adiante”, ele disse. “É fácil prever seu futuro, meu caro”, sussurrou, apontando na direção de um par de guardas civis que se aproximavam de arma em punho. Artur, baixinho, “É melhor sair daqui rápido” e “Me encontre no apartamento”, antes de, mais uma vez, desaparecer.

De repente percebo que minha confusão vem do fato de ter, pela primeira vez, entendido o que é o tempo e esquecido, simultaneamente, o modo como costumamos organizá-lo em passado presente e, é claro… isso explica o motivo de ter estado no apartamento. Fui lá para encontrá-lo. Ainda não sei se era o meu ou o dele e também não sei se isso importa. Sequer tenho certeza se era um apartamento ou só a idéia que tenho de um apartamento. Breve resumo da obra. Informação codificada num gabarito.

III.

A idéia de tempo linear foi reimplantada com sucesso e devolveram-me nome e números que me descrevem. Cumpri a sentença de dissociação como determinado pelo júri e tive memórias, consideradas perigosas pelo juiz, prontamente apagadas.

Diagnóstico e veredito se confundem presentemente. Artur, o diretor da clínica, me reintroduziu ao meu universo como ele é: doenças psicológicas são vetadas ‘a população. Psicoses, neuroses, sociopatias, esquizofrenia, síndrome do pânico e afins abalam o status quo o bastante para que o governo determine intervenção policial em casos assim. Enquanto falava, Artur não desgrudava os olhos do palm top que tinha, adivinhe onde?, nas mãos e repetiu a ladainha de que só me informava para justificar minha internação involuntária na instituição federal em que me encontrava. “Só o fundamental para que entenda as conseqüências de um comportamento nocivo ‘a coletividade na qual será reinserido no próximo ciclo”, disse entre uma e outra nota feita na tela de cristal líquido. Decidi que seria saudável não questionar a respeito do que levou ‘a minha apreensão inicial. Mesmo assim, antes de sair da cela, ele me disse: “Você estava tão doente que se tornou infeccioso. Todas as pessoas de seu convívio também foram extraídas e tratadas”. Aparentemente houve um surto de alucinações em massa. Traçaram da periferia até o centro da “infecção” e me identificaram como “paciente zero”.

Não me informaram a respeito do que eu alucinava, o que via ou dizia. Queriam evitar recaídas. Uma enfermeira sorridente e bastante afável que dizia chamar-se Maria contou-me que minha descompressão antes da reintrodução na sociedade seria feita numa aldeia ribeirinha primitiva onde, esperavam, o convívio com os nativos e o trabalho braçal teriam efeitos terapêuticos. Ela disse que o tratamento com LSD e a instalação da nova personalidade foram considerados sucessos retumbantes.

Estou agora na aldeia, no meio de uma reunião em que os pescadores discutem os rumos futuros da comunidade com a recente escassez de peixes e a dificuldade que os mercadores têm para trazer o trigo até tão perto do mar. Noto a preocupação de algumas mulheres cujas crianças choram de fome e a exasperação dos responsáveis por alimentar os presentes na reunião. Peço que me mostrem o que há para comer: alguns peixes, um punhado de pão.

Que posso fazer?

Publicado por: timoteopinto | Janeiro 15, 2009

Mais uma sobre a Realidade…

por Rev. John Wolf Lee

“Vá para rua, cubra teu rosto,
Encha uma garrafa de vidro com gasolina e óleo diesel,

Tampe com um pano velho e sujo,

Deixe que o pano se umedeça um pouco e acenda-o com fogo,

Não espere muito, jogue-o longe,

E aprecia a bela fogueira que fizeste.”

J23, capítulo Boom, versículo Molotov.

Tudo em que você acredita é mentira! Se você acredita nisso, então também é mentira. Alguma coisa tem que ser Verdade no fim, mas o quê, porra?

Nunca vi alguém que pensasse como eu, nem entre os discordianos mais malucos e maconhados que conheço, desconheço e sei lá o quê. Isso por si só já é impressionante, mas a trama se intensifica… Existe uma coisa chamada “Paradigma Holográfico” que diz basicamente: tudo que vemos, ouvimos, sentimos, cheiramos e provamos, nós, na verdade, nunca sequer nos aproximamos. O nosso “Eu”, consciência, é algo que vive, provavelmente, dentro do nosso cérebro, e o nosso cérebro, provavelmente, nunca tocou, viu, sentiu, cheirou ou provou qualquer coisa. A nossa consciência só tem, na verdade, um mundo holográfico criado dentro do nosso cérebro a partir de informações captadas por partes que, apesar de fazerem parte do nosso corpo, não fazem parte de nossa consciência. OU SEJA, a realidade de cada um é nada menos que o mundo holográfico criado dentro de seus cérebros, onde suas consciências viajam, nunca entrando em contato com a Realidade (note o “R” maiúsculo).

Em outras palavras: imaginem nossas consciências como as pessoas do filme “The Matrix”. Nesse caso, nossos cérebros são as máquinas, nossas consciências são essas pessoas e a Matrix é a nossa realidade. Nossas consciências vivem dentro de nossos cérebros e acreditam que tudo que eles nos dizem é a Realidade, quando na verdade não passa de realidade. Isso levando em consideração que a nossa consciência é algo superior a central de impulsos elétricos chamada cérebro, algo que pode ser interpretado como alma. Isso abre portas para uma discussão sobre a existência ou não desta consciência, mas essa não é a intenção aqui, portanto sua existência vai ser considerada acurada e fodam-se aqueles que discordam (disso, não do resto).

Enfim, numa visão menor, temos alguns estudos de algum tempo atrás que cogitavam a hipótese de que o que as mulheres vêem como azul, os homens vêem como vermelho, ou algo do tipo. A implicância dessa hipótese era nada mais, nada menos, que a prova de que ninguém pode saber o que, raios, passa na cabeça de outro ser. Pense comigo (é, eu sei, impossível, mas você sacou o que eu quis dizer, né?), você aponta um papel colorido e ensina à duas crianças, um menino e uma menina, “isso é azul”. Beleza, a partir daí não importa se o que a garota vê ali como azul, o garoto vê como vermelho. Aquela cor foi ensinada como azul, e está correta para ambos, os dois vão associar àquela cor à palavra azul. Na realidade da menina, tudo o que o garoto vê como vermelho, a garota vê como azul, mas o nome da cor ensinada é o mesmo, “azul”.

E daí?, vocês perguntam. Bom, daí que a simples possibilidade de que isso acontece já a prova máxima de que as realidades pessoais divergem imensamente entre si, e portanto divergem foderosticamente da Realidade (novamente, note o “R” maiúsculo). De fato, numa visão menor ainda, podemos atribuir coisas muitíssimos simples para provar tal teoria: digamos que certa pessoa nunca viu fogo em sua vida encontra uma chama. Ela pensa: “Brilhante, bonito, quente, confortável, bom, suave, macio, vermelho…”. E no momento que ela se aproxima e toca essa chama, toda a sua realidade muda inesperadamente! A chama passa a ser associada a: “Brilhante, bonito, quente, bom, confortável, vermelho, perigoso, queima, causa dor, consome, ruim…”. E aquela simples chama, que antes era praticamente um bichinho fofinho e peludo que dava vontade de abraçar, ganha qualidade de um inimigo mortal, algo muito perigoso, algo que deve ser controlado com extremo cuidado, uma fera selvagem dentro de uma gaiola. Portanto, a simples realidade de alguém que conhece fogo já é uma realidade extremamente diferente da realidade de alguém que porventura desconheça.

Do mesmo modo, cada pessoa associa determinados sentimentos e tags a cada coisa em sua realidade. Enquanto uns podem gostar muito de filmes de terror, e atribuam coisas boas a tais filmes em suas realidades, outros simplesmente os odeiam e querem a maior distância possível. Isso num campo bem micro e concentrado prova a divergências entre realidades, mas imagine isso num campo totalmente macro e expansivo. Imagine se o cheiro de alho que você sente não for o mesmo cheiro que o outro sente. Imagine se o que você vê como verde, outro vê como roxo. Imagine se a música que você escuta é completamente diferente da música que o outro escuta, e a mesma é totalmente diferente daquela que a banda escuta quando a toca. E TUDO ISSO SIMPLESMENTE NÃO PODE SER PROVADO, ainda, mas tampouco pode ser negado. Não podemos ver o mundo como outra pessoa, ainda não é possível entrar no cérebro de outra pessoa e olhar, sentir, cheirar, provar e ouvir o que aquela pessoa vê, sente, cheira, prova e ouve.

O que isso quer dizer? Que o seu mundo é pó! Seu mundo é arroz doce com ovo! Seu mundo é água de piscina! Seu mundo é dor do joelho direito! Seu mundo é euforia histérica! SEU MUNDO NÃO EXISTE EM LUGAR ALGUM FORA DA SUA MALDITA CABEÇA!

Ele não existe na cabeça de ninguém mais, provavelmente. E a sua realidade pode ser uma caricatura bizarra e mal-feita da Realidade (olha o “R” maiúsculo aí, gente!). Na verdade, é impossível saber como a Realidade é, já que nossa consciência está presa ao nosso cérebro, e este interpreta coisas com um mínimo ridículo de informações. De fato, isso até explica uma variedade de fatos interessantes, por exemplo: por que alguns homens que são considerados sábios ou santos, conseguem fazer coisas que nós, pessoas “normais”, não conseguimos? Pelo simples fato dele ter programado seu cérebro para que tais coisas fossem possíveis. Na verdade, tudo que somos e vemos pode ser somente uma programação de nossos cérebros. Portanto, uma pessoa que treina muitos anos uma determinada arte marcial não é capaz de fazer nada além do que qualquer um pode fazer, ele meramente programou seu cérebro para que a afirmação “eu posso dar um salto mortal por aquela janela e cair de voadora na testa daquele mane” seja verdadeira. OUTRA, por que em determinados locais as pessoas comem coisas que outras consideram extremamente nojentas e desgostosas? Simples, a programação cerebral daquela sociedade diz que aquilo é bom, portanto eles acham bom.

CHEGANDO AO PONTO: cada um é cada um, cada um tem seu próprio mundo… Nossos atos podem ser incompreensíveis para muitas pessoas, mesmo sendo completamente óbvios para nós. A minha realidade é diferente da realidade de todo mundo que eu já tive o prazer e desprazer de conhecer, e a deles diferem entre si, provavelmente. E qual dessas está mais próxima da Realidade? Vai saber, que se foda… Só sei que eu tô cansado de viver pelas regras dos outros, não tô mais afim de ser forçado a viver uma realidade diferente da minha. Para mim, e para alguns idealistas de plantão, isso é uma esperança, pois significa, pelo menos, que podemos mudar o mundo (mesmo que seja só o nosso mundo)…

Nada é verdadeiro, tudo é permitido. Não se submeta à realidade dos outros, viva e mude a sua!

Publicado por: timoteopinto | Janeiro 15, 2009

My Name Is Jimmy Dorf!

Um filme de Reverendo John Wolf Lee

Sinopse:  Uma laranja azul cai do alto de um prédio de 23 andares. Logo o assunto se torna polêmica…

Sete anos depois a Nasa se envolve e decide isolar o local da queda da laranja, e uma fazenda em Illinois, Texas.
O governo obviamente esconde alguma coisa e isso gera confusão quando um grupo ativista se envolve pedindo o retorno de sua querida laranja azul.

O Caos toma conta das ruas e uma enorme confusão se espalha, dois policiais são presos por um menino gordo fantasiado de Batman.
Enquanto isso três formigas verdes de antena azul se perguntam: “Por que?”.
O governo ameaça destruir a cidade com uma bomba de chocolate se todos não se acalmarem. Mas o grupo ativista ainda assim continua o caos e a confusão, alegando que só vão parar quando a laranja azul for devolvida.

A sonda espacial Voyager VI volta para a Terra, trazendo Willian Shatner e Leonard Nimoy.
Cinco garotas planejam roubar um banco no Texas, mas descobrem que tudo que havia no cofre era uma estranha laranja azul.
Agora o governo não tem como devolver a laranja, o grupo ativista se recusa a parar, o menino gordo fantasiado de Batman prende mais sete policiais, as três formigas verdes de antena azul entram numa discussão filosófica sobre quem matou a senhorita Pynn e as cinco garotas tentam vender a laranja azul no mercado negro.

Cast:
Reverendo John Wolf Lee, como o Líder Do Grupo Ativista.
Elvis Presley, como o Oficial Da Nasa.
Allotoni, como Garoto Gordo Fantasiado De Batman.
Ana, Ci, Érika, Juhx & Bridget Fonda, como As Cinco Garotas Que Roubam O Banco.
Dengo, o incrível cão maravilha, como Serjey, o Presidente.
Três e Meia, como Mallik Azim-Azim, o Conselheiro Real.
Gil, Ranier & Ramon, como As Três Formigas Verdes De Antena Azul.

Publicado por: timoteopinto | Dezembro 9, 2008

Número 5-3

e chegou a segunda edição da Discordia Brasilis, a Revista do Discordianismo Brasileiro.

Rev. Beraldo (responsável por essa maravilhosa edição juntamente com Rev. Peterson) dá o toque: “O conteúdo da revista pode ser usado de qualquer forma. MESMO. Mas seria legal que você desse crédito ao autor original.”

baixe aqui

Publicado por: Peterson Espaçoporto | Dezembro 5, 2008

Os homens precisam de adversários

Os homens precisam de adversários. E por homens entendo a humanidade mesmo, supondo que isso possa perfeitamente se extender às mulheres.

Kierkegaard era cristão e imaginava o cristianismo como uma constante inquietação, não o teatrinho que era (era?) na sua época. A idéia toda é bem parecida com a de Nietzsche, se alguém pensar nisso a fundo. Só que Nietzsche não sentia sua inquietação filosófica por ter que decidir entre a moral de uns e a moral de um, mas sim porque este um em questão pra ele não existia então ele se irrita com uns e outros por aqui mesmo.

O cristianismo inquietante não pega por aí em todo lugar porque há pessoas que já tem muito com o que se preocupar, então, elas já tem inimigos, e buscam no cristianismo conforto, não mais um inimigo.

A questão toda é que há coisas que possamos fazer a respeito… Talvez possamos começar a definir o egoísmo, o egocentrismo, como a total incapacidade de enxergar os outros como protagonistas de suas próprias histórias, vendo-os apenas como coadjuvantes da sua própria. Seria o individualismo, pois, a noção de que nem todas as histórias devem ser iguais, e que os diferentes antagonistas existem e ninguém tem nada exatamente a ver com isso.

Talvez possamos também, já que entendemos nossa propensão para batalhas, transformar nossa propensão para batalhas em um propensão para jogos. O que são jogos, esportes, se não batalhas em que ninguém morre? Ou, bem, enfim, normalmente não?

Tinha mais, mas a idéia geral é essa.

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