Publicado por: timoteopinto | maio 26, 2011

Central de Informações do seu Grande Túnel de Realidade

Olá. Bem vindo à Central de Informações do seu Grande Túnel de Realidade!
Para ouvir as instruções do seu Grande Túnel de Realidade, tecle 1. Para ajuda e reprogramação neurolingüistica, tecle 2. Para tratar de circuitos específicos, tecle 3. Para problemas mais comuns, tecle 4. Para reclamações, tecle 5. Para encerramento de contas, tecle 6. Para lindas mensagens de motivação, tecle 7.
Você digitou (1) – (HUM)
Instruções do seu túnel de realidade:
[Para a nossa segurança, informamos que esta mensagem não será gravada]
Sua tela de navegação se encontra na sua mente. Sua cabeça é o seu painel. Preste atenção se o seu painel está bem conectado ao computador. Seu computador se encontra no seu corpo. Use a sua Vontade como mouse.
Lembre-se que você é um bicho muito estranho. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Expresse a sua esquisitice para o bom funcionamento do seu Grande Túnel de Realidade. Para a construção de uma personalidade que funcione à altura da sua Vontade, entre em contato com você mesmo. Para conflitos maiores, entre em contato com os seus deuses e demônios disponíveis 24h por dia na sua men
Você digitou (4) – (CUATRO)
Problemas comuns registrados em nossa Central de Atendimento:
1) Não sou aceito por outras realidades.
2) Não aceito não ser aceito por outras realidades.
3) Nã
Você digitou (7)-(CETTE)
Bem vindo à central de lindas mensagens de motivação!!
Sente-se confortavelmente.
Não reze, não me mexa.
Dissolva as estruturas mentais.
Se entregue para sentir o agora….
… porque a vida é só sentir.
Viver é muito maior no sentir do que no pensar.
Aceite que você não sabe do futuro e que não precisa fazer nada por ele.
A pessoa que você pensa que é, apenas pensa – não é. Não me interessa pensar. Não precis
Você digitou
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Obrigada por fazer do nosso sistema um caos. Sua ligação foi muito importante para nós. Expresse a sua esquisitice para o bom funcionamento do seu Grande Túnel de Realidade. Sua ligação foi muito importante para nós. Obrigada por fazer do nosso sistema um caos. Viver é muito maior no sentir do que no pensar. Não reze. Obrigada por fazer do nosso sistema um caos. Para a nossa segurança, informamos que esta mensagem não foi gravada. A pessoa que você pensa que é, apenas pensa – não é. Você digitou (4) – (HUM). Não é. A pessoa que você pensa que é, apenas pensa. A pessoa que você pensa que é, apenas pensa. A pessoa que você pensa que é, apenas pensa. Não é. Não é. A pessoa que você pensa que é, apenas pensa A pessoa que você pensa que é, você apenas pensa A pessoa que você pensa que é, apenas pensa A pessoa que você pensa que é, apenas pensa Obrigada por fazer do nosso sistema um caos. Você digit Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Para a nossa segurança, informamos que esta mensagem não foi gravada.
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A pessoa que você pensa que é, apenas pensa. Não é. Você é um bicho muito estranho e muito expressivo. Você dig

por Papisa Fernanda

Publicado por: timoteopinto | maio 26, 2011

o nosso kaos é uma foda (muito grande)

-><-

um pequeno intervalo na Discórdia Brasilis para uma demonstração da Discórdia Portugalis

-><-

a deusa disse: – “as horas são velozes…”
e
mais disse: – “o inferno é azul”.
disse-o e, nós crentes, só pelo facto de o ter dito – aceitamos.
só podemos aceitar.
uma maçã caiu
e
uma explosão de discórdia se fez sentir. foi nesse momento que os relógios inverteram o sentido dos seus ponteiros e impuseram um novo ritmo.
- “somos uns viciados em bolsos…” disse o papa jonas ao abrir o novo templo ao culto ciclista.
e
a nossa virgem e senhora das bicicletas fez uma nova aparição – todos levantaram as mãos ao céu
e
a grande senhora nomeou os seus 23 papas ciclistas (porque 23=2+3=5).

não. a santa igreja das bicicletas não é uma cisão (de maneira nenhuma) da doutrina discordiana.
não.
a santa igreja das bicicletas é, tão só, um templo, uma loja, uma venda, uma tasca que obedece ao rito vanguardista/velocipédico dos 5 elementos – a saber:
volante
roda
pedal
selim
campainha

daí se infere que a santa igreja das bicicletas é una e indivisível – logo verdadeira
e
braço/ramo da grande árvore discordiana: a macieira
(precisamente. essa macieira a que o papa jonas e todos os outros papas nossos, recorem para o encosto dos seus velocipédicos instrumentos de culto)
“quando a luz se desfaz… sentimos o poder da luz
e
as trevas abandonam, num repente, os nossos corpos”
(in livrociclo fnord II, ver-cíclo XXIII: “o do percurso das 5 virtudes”)
os nossos evangelhos não foram escritos pelos doutos e sapientes sacerdotes.
os doutos e sapientes sacerdotes da velocipédica e santa igreja são meros guardiões
e
veículos de transmissão da grande deusa éris e sua santa “irmãzinha” a nossa senhora das bicicletas.
e foi assim que o papa jonas concebeu o grande tarot discordiano
e foi assim que o papa affi escreveu o apocalipse da discórdia
no apocalipse da discórdia há 5 cavaleiros. 5 grandes espíritos prontos a gerar o kaos II – porque primeiro foi o kaos I e no fim dos tempos o kaos regressará – será então o kaos II…
pois
precisamente
e
é por isso que o nosso templo é um phalo.
um belo phalo que se eleva na direcção dos céus.
um phalo enorme que se abre na base aos fiéis da grande maçã.
os ciclistas, porém, passeiam-se em torno do templo
e
a deusa excita-se (muito) ao sentir os rodados dos instrumentos velocipédicos no terreiro.
mas voltando aos 5 cavaleiros apocalípticos… eles vão surgir para gerar o kaos final (segundo reza a epístola de affi – papa discordiano e mago kaoísta).
eles vão aparecer do nada, montados nos seus motociclos
e então…
só então
o tempo sofrerá uma paragem de não tempo.
o tempo deixa de ser tempo
e
não mais haverá tempo para nada.
os comboios não mais cumprirão horários, os transportes públicos e…
bom, vocês nem calculam o que vai ser o kaos II.
o kaos II (o da banana), é uma foda total.
depois do kaos II, virá o kaos III (o do melão) e o kaos IV (o das uvas)
e
só muito depois
o grande kaos V…
ora o kaos V, é o nosso kaos, o único kaos verdadeiro.
é o kaos ciclista, o caos onde todas as manhãs vão chover maçãs para que os fiéis se alimentem pelo conhecimento.
para ficarem mais espertos – porque adquirem o conhecimento empacotado na maçã.
e
todos seremos mais saudáveis porque comemos as maçãs
do e no kaos
da e na discórdia…
é…
todas essas merdas, vêm nas escrituras.
então… muito felizes, comeremos perdizes e cantaremos em coro:
todas as manhãs
comemos maçãs
comemos maçãs
temos as mentes sãs

igreja real do monociclo sagrado

Publicado por: timoteopinto | outubro 23, 2010

A Sagrada Invocação do Vimãna do 5º Sol

por Vortek – The Kaos

No dia 23 (se for no dias 23 de Maio de 2003 ou 2005 melhor! – procure uma Maquina do Tempo mais proxima) prostre-se (oh palavra escrota) diante da Grande Bola Que Te Queima e Te Transforma em Camarão Quando Vai a Praia Porque Tu Não Usas A Porra do Filtro Solar Mais Doravante Isso Não Importa Porque Não Faz Parte do Ritual!

Agora, olhe fixamente para o grande astro rei….olhe mais um pouco…um ppouco mais de devoção….agora pode sair correndo e gritando como um louco porque estarais CEGO!

Depois deste teste de Fé, comece a Vibrar o Grande Mantra Sagrado:

OM Padymivaraycumdyeduvay Qye tuatafyareu!!!

Este mantra deve ser vibrado de uma só vez na expiração, entoe 5 vezes, junto com o mantra vizualize o Sagrado Vimãna chegando. Se quiser pode colocar uma musica tocando para auxiliar o Ritual (pode ser o tema central de Star Wars).

Quando estiver em total estado de Gnose (ou seja, completamente doidão) grite a Grande Chave Alquimica Enochiana da 15ª Dimensão:

HAKUNA MATATA!!!!!!!!!!!!!

Neste momento se Manifestará o Sagrado Vimãna do 5º Sol, ele pousará diante de Ti e dele irá sair o Grande Deus Arquétipo do Proximo Aeon!!!!

P.S.: Qualquer semelhança do Grande Deus Arquétipo Do Proximo Aeon com o Bozo não é mera “coincidencia”. E quem rir e acreditar no que aqui está escrito ou quem não rir e não acreditar ou quem acreditar e…..ah dane-se!!!

Publicado por: timoteopinto | julho 10, 2010

O Motivo de Existir de um Mago é Desistir para Transcender

por Reverendo Delphinus Lightbubble

Quem precisa de Deus no século 21? Sim, chegamos ao ponto de sabermos que há um universo gigante lá fora. Conhecemos o milagre da sonobioluminiscência nas profundezas de nossos próprios oceanos como também nas bolhas de luz nos laboratórios de vanguarda. Via eletricidade atingimos o ponto, sem retorno, do início de uma aldeia global. Ainda sim há um buraco, há um vazio que suga, não um vazio que alimenta, dentro de nós. Alguns abraçam esse vazio destrutivo e afirmam-se niilistas. Outros o negam veêmente, buscando um otimismo psicótico nas idéias, os religiosos, todos eles, os cientistas, todos eles, os que precisam e afirmam deus, os que precisam e afirmam a lógica, para si ou para si e para os outros.

Deus não está aqui. Deus não está no nosso momento. Deus não vai corrigir as merdas feitas por nossos ancestrais que habitam nosso cérebro reptiliano, nosso cerebelo. As escolhas que nos trouxeram a este beco sem saída, apenas a espera pelo pelotão de fuzilamento. Não. Deus, caso ele exista, irá apenas assistir. Como ele já o fez, em todas culturas patriarcais, sempre houve momentos em que deus assistia seu povo ser dizimado em nome de, bem, em nome de deus. Sejamos realistas, mesmo se formos teístas, deus não vai fazer porra nenhuma. Ou tira-se a própria bunda da cadeira ou vai-se virar sardinha em lata, meu irmãozinho terráqueo.

O que seria tirar a bunda da cadeira? Em primeira instância, seria ver a si mesmo de fora e dar risada de seus mecanismos de auto importância. Sair da máquina metódica monótona que é seu cotidiano, alimentado por ideias plantadas em você, pelos outros, desde pirralho. Olhe-se de fora. Veja novas conexões, veja novas trilhas, liberte-se de si mesmo, desmonte-se, machuque-se, liberte-se de 2000 mil anos de cultura e, yeah!, vá lá ouvir teenage atari riot, por favor, decididamente os stockhausen do trash alemão. Depois retorne e continue lendo a minha história de busca pelo poder que lhe soca rumo a trilha definitiva em direção à humildade, e não tem escola para isso, não tem egrégora para isso, não tem grupo ou sociedade, ou templo para isso, quer ver o mundo além do mundo como ele é, isto é, quer ouvir a voz do mundo? Atire-se no abismo, aprenda a voar, ou morra tentanto. Mas não me dê ouvidos, não sou de nenhum grupo, sociedade, egrégora, templo e sou um bruxo discordiano urbano auto-didata.

Que estudante de magia não quer encontrar a pedra filosofal? Diga ai? Pois é! Lembro-me de quando me escondia de baixo da cama de meus avós, para anotar, mentalmente, os números utilizados por meu avô para abrir o cofre que ele mantinha dentro de seu guarda-roupa. Meu avô saia sempre depois do almoço para ir levar minha voinha para o bingo geriátrico. Eu ficava ali, sozinho na chácara, filho de mãe solteira, mãe trabalhando, eu lá, só, rá!, batata! eu fumava o cachimbo de meu avô escondido, tinha apenas 10 anos na época, eu abria o cofre e ficava lendo toda papelada da sociedade secreta à qual meu avô pertencia desde 1945. Como também me dedicava a ler aqueles contos pornográficos que havia dentro das revistas de sacanagem dele, as vezes eu roubava algumas revistas pornô dele. Foi meu erro, ele descobriu e nunca mais pude me esconder sob sua cama para acessar seu cofre. Mas o potencial hacker havia sido semeado ali. Além de eu ter conseguido ficar com algumas das revistas que roubei, para com o tempo descobrir as vastas utilidades que um pinto pode ter.

A alquimia. A arte real. O segredo da obra divina. Quer saber qual é? Imagine o tempo enquanto ondas complementares, opostas, assimétricas, ondas que não são afetadas por nenhuma outra onda, vibrando o comando da consciência criadora, por tanto criando todas as outras ondas que em pressão, via choque, cria a matéria. Sacou? O problema é acessar esse estado, essa dimensão da percepção. Mais ainda, o problema é acessar este estado perceptivo e não ficar lelé da cuca, mermão! A via seca mata, mas a umidade enferruja, logo, qualquer método, o seguro ou o inseguro, ambos são incertos. Mas daquele momento na infância até hoje, aos meus 34 anos, dediquei-me a desvendar esse segredo. Não apenas desvendá-lo, mas praticá-lo. E há um preço. Eu perdi meu senso de importância. Eu perdi meu senso de individualidade. Eu sinto que não existo, ao mesmo tempo que minha função primal é insistir em existir. E isso é natural, são desses conflitos que nascem a Vontade, a potência que não apenas se sonha, mas que se realiza. Alquimia. Diga ai se os jogos divinos não são malucos?. Como se eu fosse apenas dois olhos olhando por olhar, para diversão de algo maior e incogniscível que utiliza-se de meus olhos de olhar para via mim olhar. Saqualé? Pois é. O preço da alta magia é a individualidade. Ela, a individualidade, essa ilusão alimentada por vários eus fragmentados e assustados com sua impotência perante o grande todo, a individualidade morre. Em vez de partícula, tornamo-nos ondas estáticas em progresso rumo ao mistério sem nome. Uma aventura, onde a maldição é a benção de ter apenas a opção de seguir em frente. Sempre.

Alquimia passa por ondas. Vibrações. E falarei muito disso por aqui. Magia passa por ondas. Também. Tudo, na real, passa pelo conceito de ondas. É uma revolução que deixamos de realizar várias vezes no passado, a revolução de mandar Demócrito, assim como a física de partículas para a puta que os pariu, no caso, os escrotos andrógenos do Zeus de Atenas. Esqueci de explicar, além de bruxo, também sou erisiano, logo, é como a mãe Éris disse que disse, somos livres, basta abrir o olho da pineal, neném. Se eu consegui chegar ao nível 4, você consegue, leitor, chegar ao nível 5.


Publicado por: Schneider | julho 10, 2010

O Bom Manual do Monge Discordiano

Texto encontrado no norte da China. É uma longa história.

Primeiro

Salve Éris, aqueles que vão te saúdam.
Casa caiu pra gente, não reze, mudam.
Esse texto não é em poesia, como escutam.

Ele é em prosa muito bem prosada. Este é o primeiro mandamento. Não faça da poesia prosa, nem da prosa poesia, mas mantenha o ritmo.

Segundo

Esse texto é falso. Nada aqui funciona de verdade. Ainda assim ele é verdadeiro, cacete!

Este é o segundo mandamento. Não confie em peixe que não nada, nem em água que não molha.

Terceiro

Não leia o Principia Discordia. Se você já leu, desleia: de trás para a frente.

Este é o terceiro mandamento. O que é verdadeiro em Éris, é verdadeiro no mundo. O que é falso em Éris é verdadeiro no mundo. O que a gente não sabe a gente não bebe.

Quarto

Vá a um hoje. Leve uma garota.

Este é o quarto mandamento. Quando você é o penúltimo, seja o último. Leve um vinho. Ou você quer um vendaval?

Cinco

Toneladas de linho. Seja um Bom Monge, mantenha suas carroças com boa manutenção. Você não vai querer carregar $0.23 dólares & uma 7 Belo sozinho. Então mantenha este texto com o título em negrito, mesmo partes suas, não esqueça das iniciais maiúsculas, com excessão do do. Isto não é uma piada.

Este é o quinto mandamento. Não há quinto mandamento.

Infelizmente o resto do texto foi destruído em uma guerra qualquer.

Publicado por: timoteopinto | janeiro 19, 2010

Saudação aos novos Discordianos

Por Marcelo Pirani (True Hare)

Muito bem, então você agora é um Discordiano. Já passou por todos os estágios e rituais necessários, até já raspou metade dos cabelos e deixou a outra metade intacta (pra que exatamente você foi fazer isso?) e agora seu título oficial é Papa. Você esfrega as mãos, satisfeito. “Vamos começar!”, pensa.

E depois? Qual o caminho que você segue, para melhor servir à Deusa? Quem sabe ganhar muita grana e umas minas/uns carinhas no processo? Ou mesmo se for só pela segunda opção (Eris adora esse último caso, dizem)?

Tem gente que segue logo ao pé da letra, e começa a “discordar” de tudo. Meio que confundem Discórdia com Discordância (se é que existe alguma diferença). Bom, se você consegue discordar mantendo o respeito pela opinião do outro (nem que seja pra rir sozinho mais tarde), salientando-se que “manter o respeito” significa também enfiar a mão nas fuças do sujeito se ele começar a querer crescer demais, então este pode ser um caminho bem iluminador.

É só lembrar, o que sempre moveu o mundo foi a insatisfação com O Que Estava Por Aí. Duvido que os outros homens das cavernas não tiraram um puta sarro do troglodita magrelinho – aquele que ficava escondido num canto da caverna a maior parte do tempo e nunca saía pra caçar, pra não atrapalhar os outros – quando este apareceu com aquela tal de “roda”. Se ele fosse acreditar no que os outros rosnavam, se concordasse com eles que era impossível existir uma solução tão simples para o problema do transporte de carne de mamute ou sei lá do quê, nada teria mudado.

Portanto, se você é capaz de separar Discordância/Discórdia de Desrespeito, vá em frente. Se por outro lado você já parte pra porrada logo que alguém te contraria, sei lá, vá em frente também. Na pior das hipóteses, a polícia acaba te pegando (demonstrações MUITO grandes de Caos geram respostas violentas de Ordem. Às vezes é até divertido, pra falar a verdade. Pelo menos pra quem assiste).

Ou talvez você siga a linha mais caótica, imprevisível e porra-louca. Muitas das coisas que vêm de você, seja por palavras ou ações, são totalmente inesperadas mesmo por quem te conhece há tempos. Você muda de idéia com a mesma freqüência com que muda as estações de rádio dentro do carro durante um engarrafamento – isso quando não larga o carro lá no meio e vai embora a pé. Em casa, sua mãe pensava que havia tido trigêmeos e por algum motivo apagara o fato da memória… E que seus filhos fingiam ser um só porque queriam deixá-la louca pra botar as mãos na herança.

É um bom caminho? Se você consultar a sua Pineal, aposto que a Deusa vai dizer LÓGICO QUE É! Bom, sei lá, quando eu perguntei, ela pareceu entusiasmada. Eris sempre adorou uma confusãozinha saudável. E mantendo-se assim, sempre em mutação, além de não se tornar uma figura cansativa, você mantém sua mente sempre exercitando-se e, com um pouco de sorte, evoluindo.

Por outro lado, claro que a Lei de Compensação Caos/Ordem (citada três parágrafos acima) funciona aqui também, e se você começar a ficar MUITO imprevisível, pode acabar passando uma boa temporada num hotel tão aconchegante que todos os hóspedes ganham, já na entrada, um agasalho maneiro e um quarto todo acolchoado. Às vezes, até rola uma massagem relaxante, que te deixa BEM calminho e com belas marcas roxas por todo o corpo. Tirando a parte da massagem, pode ser exatamente aquilo que você estava procurando para meditar em paz (se mesmo com a concussão der pra meditar, nem precisa excluir a surr… hã, massagem). Portanto, não hesite em seguir esse caminho se for a sua praia, pode ser bem recompensador.

Tem também o sujeito que vira Discordiano porque se desencantou com a religião de onde vinha, e fica comparando as duas. Pode até ser que, de início, esse cara (doravante conhecido como Você) esteja tentando “comparar as grades”, pra provar que o Discordianismo é melhor do que qualquer que fosse sua filosofia anterior. Eu digo que, se isso é importante pra você, vai fundo. É um bom começo. E você provavelmente vai acabar se convencendo rapidinho do que já sabia, mesmo. Se você se converteu ao Discordianismo, é porque já o achava melhor, e qualquer prova, por menor que seja, vai te servir. E eu não tou criticando, isso é um bom começo, como já foi dito, e em pouco tempo você vai acabar percebendo como essa discussão é irrelevante, de qualquer forma. Mas é um ritual de passagem.

E esse caminho parece que costuma levar mais rápido à aceitação do conceito de “grades”, que eu citei agora há pouco e do qual eu particularmente sou fã incondicional. Se você ainda não conhece, vá ler o Principia, pô! Tá tudo lá, preto no azul com bolinhas vermelhas (as cores podem variar dependendo do que você tiver tomado). De qualquer forma, nesse momento, que pra você talvez até já tenha passado (e nesse caso você pode até vir a concordar comigo), a gente se dá conta de que afirmar “o Discordianismo está Certo e as outras, Erradas” é exatamente como dizer que uma grade é mais Verdadeira que outra. E que se for pra se tornar um fanático, o Discordianismo talvez não seja a melhor opção.

Bom, claro que você pode mandar tudo à merda e virar mesmo um Discordiano fanático. Vai ser meio esquisito, pois Fanatismo costuma combinar com Ordem, e uma hora a pessoa desiste ou do Fanatismo, ou do Caos. Se você conseguir atingir um equilíbrio entre os dois, o que deve ser bem difícil, e continuar sendo um Discordiano fanático, provavelmente merece louvor, nem que seja pelo esforço.

Ou você é do tipo que não leva nada a sério, e tá nessa só pela gozação? Esse negócio de Discordianismo é tudo uma piada, no fim das contas, certo? Quer dizer, você não acredita DE VERDADE que Eris se comunica com você pela sua Pineal, acredita? Qual é, pessoal, essa mulher não existe, vai me dizer que vocês acham que sim?

Bom, nesse ponto o Erisianismo leva uma enorme vantagem sobre grande parte das religiões por aí. Porque, Eris existindo ou não, ela não se importa se você acredita ou não nela. Você não vai pro inferno se não acreditar. Se Ela existir mesmo (e eu, como bom discípulo, não estou afirmando nem negando nada), vai se dar por muito satisfeita se você acreditar na filosofia dela. Em outras palavras, seja você um Discordiano que está nessa apenas porque achou a filosofia bacana ou um que realmente tem fé na Deusa e segue seus ensinamentos, pra Ela é a mesma coisa.

E mesmo se você só APARENTA seguir a filosofia Discordiana, mesmo que lá no fundo nem acredite nela, se você é um Discordiano por pura gozação, ainda assim estará gerando Caos suficiente para deixar a Deusa satisfeita. Mesmo se ela não existir.

Claro, isso é só o começo. Esses são apenas alguns tipos básicos de Discordianos. E você ainda pode misturar cada um desses com um dos ou todos os outros (sem falar nos tipos básicos que eu nem citei), na proporção que quiser, criando infinitas possibilidades. E isso, aos olhos da Deusa, é Bom. Pois seja qual for seu caminho, você estará contribuindo para deixar o mundo um pouquinho mais caótico, ou seja, menos chato. Bom trabalho!

Publicado por: timoteopinto | janeiro 6, 2010

Sobre Macacos e Bananas ou Como Conjurar Éris com Coca-Cola Zero

por dudektria

Acordo. Olho o relógio. São 8:23 da manhã. Só mais cinco minutos. Acordo. Olho o relógio. São 8:28. Me levanto. Como algumas bananas acompanhadas com Coca-cola Zero.

Estou seguindo essa dieta rigorosamente desde o início da semana, na tentativa de manter mais triptofano no meu cérebro durante o dia. Segundo Aldous Huxley, nossa mente só consegue receber uma certa quantidade de informação diária, devido a fatores evolutivos, desenvolvidos na época em que éramos mais macacos que homens. E um bom jeito de “ver mais do que o normal” seria através de drogas alucinógenas. Robert Anton Wilson recomenda a maconha, embora não seja por muitos considerada alucinógena, porém reconhece o maior poder de outras, como o DMT, a salvinorina, o LSD, a serotonina e o LSA.

Como eu não quero “ver mais que o normal” atrás de uma jaula, ver o sol nascer quadrado, finjo ser um macaco a comer bananas, que contém triptofano, precursor biológico da serotonina. Engraçado, este é um arquétipo símio bastante pobre, semelhante ao que temos dos coelhos, de que comem só cenouras. Se fosse eu um macaco, além de quase não comer bananas, já estaria certamente atrás de uma jaula. Não parecem funcionar, tanto as bananas, quanto as jaulas, para qualquer fim que seja.

Mas, sinceramente, não sei bem para que serve a Coca-cola Zero.

Depois de um banho, já estou pronto. Corro para pegar o ônibus. No ponto, olho o relógio. São 9:23 ainda. Espero cinco minutos e pego o primeiro UFSC semi-direto que encontro. Um carro da Transol, de número 0235. Não sei para onde vão essas latas azuis no final do dia mas, com certeza, vão todas para o mesmo lugar. Devem ser muitas e, como são todas iguais, não só é inteligente como indiscutivelmente necessário numerá-las. No fim, o “0235” serve justamente para por ordem naquele maldito lugar, seja lá onde for. Ônibus nessa cidade nunca foram rápidos, ainda mais que o meu destino é o terminal viário do centro.

Chego. Olho o relógio. São agora 9:55. Demorei, pensei. Vou ao chafariz do terminal. Aqui, no terminal municipal, existe um belo chafariz, como que para entreter os passantes com a água que, além de não a beberem nem a usarem para refrescarem-se — certos estão eles, claro, afinal, não são animais, que nojeira seria! — só a vêem cair, cair e cair. Tentem fazer um chafariz aonde a água só sobe, sobe e sobe. Ai então vão realmente entreter os passantes.

Me sento em um banquinho, sorte de haver encontrado um. Um desses quadrados. Digo, cúbicos. Na verdade, chamam-no de “banquinho” por consideração, carinho. É um bloco de concreto que, ao brotar do chão, revestiram com cerâmica, dessas bem baratas. Mas ainda assim servem muito bem para sentar-se.

Espero. Olho o relógio. 10:05 ainda. Logo chega uma garota, não muito alta, não muito baixa. De um ruivo que confunde. Será que é castanho? Não, na luz parece mais um loiro escuro. Estranho. Veste um, lógico, vestido. Fantástico. De cor indistinguível para mim, já que sou daltônico. Daltonismo é algo engraçado. Todos pensam que faz a pessoa ver em preto e branco, enquanto que na verdade apenas confundimos alguns tons, trocamos algumas cores. No meu caso, por exemplo, confundo alguns violetas por azul, alguns amarelos escuros por verdes e uns tantos azuis claros por tons de cinza. Com certeza ela observa cores melhores que eu. É que o daltonismo está relacionado com um gene recessivo no cromossomo masculino. Quer dizer que mulheres passam a desordem aos seus filhos, mas só a manifestam os homens. Discreto, sinceramente humilde o vestido, como de uma dama oriental. Mas ainda assim, digo, fantástico. Ouso dizer, digno de uma divindade seria. No específico caso, o é.

— Vago está? — pergunta a garota, agora sem poder ter a idade reconhecida. Que absurdo, seriam dezenove anos? Seriam trinta?

— Claro, desde que não me arranque o sol — respondi.

Sentou-se no “banco” atrás de mim. “Atrás” é discutível. Estes assentos são perfeitamente simétricos, senta-se na posição que agradar. No momento, estava eu sentado de costas para o sol, abraçando minhas pernas de leve. Ela então senta-se no banco ao lado, mas de frente para minhas ensolaradas costas.

— O sol parado está, nem eu posso de lá o tirar.

— Falo sobre as ondas eletromagnéticas que emana, não quero que teu corpo produza obstáculo para as pobrezinhas até meu corpo. Absurdo seria se com isso o sol se deslocasse. Haveria motivo para que pudesses fazê-lo?

— Claro que sim. Digo, claro que não.

— Entendo. — Na verdade, porra nenhuma.

— Somente digo. Remédios psiquiátricos, os tomo. Tente evitá-los. Não vão te bem fazer.

— Que? — Me viro para olhá-la melhor, de espanto. Seria o português sua língua nativa? Pois não parece…

— Com essa tua dieta, haverias de várias dores de cabeça horríveis ter.

— Dieta? — Grandes olhos ela tem. Azuis ou cinzas? Talvez um verde muito claro. São como dois caleidoscópios.

— Bananas. Queijo nesses tratamentos também deves evitar. Se não queres enxaquecas ter.

— Mas eu não estou em nenhum tratamento desse tipo…. E como sabes das bananas?

— Não o sei. É tu quem sabes.

— Quem és tu?

— Com certeza psiquiatra não sou. Sobre a guerra de tróia, já leste?

Onde está?

Acordo. Olho o relógio. São 8:23 da manhã. Só mais cinco minutos. Acordo. Olho o relógio. São 8:28. Me levanto. Como algumas bananas acompanhadas com Coca-cola Zero…

Publicado por: Peterson Silva | julho 3, 2009

A Bota

<conto>

O dia no parque não podia estar mais bonito. O velho homem andava por entre as árvores, despreocupado.

Despreocupado – por pouco tempo.

Ele olha para o alto e sua surpresa é tanta que o impede de falar.

No céu azul, uma mancha marrom voava lenta e solenemente em direção ao planeta. A mancha ficava maior e maior, e aos poucos a forma se definia: os cadarços, a sola: era uma bota.

Uma bota gigante.

O homem ficou parado; não havia nada que pudesse fazer e, ainda que pudesse, nada faria. O que ele estava vendo era tão, tão, tão – mas tão – impossível, inviável – não tivesse a palavra outro sentido, seria também invisível!!

Embora ele repetisse para si mesmo que aquilo é o tipo de coisa que não acontece – que não podia acontecer – a agora grotesca bota chegou perto o suficiente pra provar que ele estava errado.

A bota chutou o planeta.

Puta que o pariu.

O homem imediatamente foi jogado pra trás, batendo com força numa árvore próxima. Ele soltou um berro rápido de dor antes de olhar com mais calma a situação.

Latas de lixo – o próprio lixo que antes estava nelas – roupas, um cachorro, folhas e mais folhas de árvores passavam alucinadamente pelo céu em uma torrente louca de objetos os mais diversos.

Em pouco tempo, em meio àquela loucura, o aventureiro – embora não o fosse por opção – percebeu que foi jogado na árvore, mas de maneira alguma havia uma força que o mantivesse lá. Ele se mantinha lá. E logo teria que sair…

Um grupo de pessoas passou voando pelo lugar. O homem criou coragem e deixou-se levar pelo vento.

No início foi um descontrole total: era difícil entender a dinâmica daquele vendaval, mas ele foi capaz de se controlar, e, talvez por sorte, talvez por recém-adquirida técnica, chegou ao grupo.

Muitos deles pareciam tranquilos; apenas um ainda se contorcia e, amedrontado, balbuciava coisas. Como não entendia o que ele dizia, o nosso peregrino arriscou fazer contato.

- O quê? – perguntou, tentando entender.

- Deus! Foi um castigo de Deus, ai meu Deus, ai meu Deeeus… – berrava o agitado jovem. Havia uma mulher de longos cabelos ruivos ao lado dele, que abriu um sorriso.

- Como algo assim pode ser um castigo, Juca – disse ela, de olhos fechados.

Os corpos de todos giravam e giravam, mantendo-se próximos. Ela, no entanto, não parecia desesperada com a temporária – ou quicá permanente – suspensão de todas-as-coisas. Ela estava, como dizer… Zen?

- Vocês viram aquela bota? Foi a coisa mais louca que eu já vi! – comentou um rapaz de barba que também sorria enquanto tentava alcançar qualquer tipo de equilíbrio naquele furacão de insanidade newtoniana.

- É Deus, foi Deus… Foi um castigo! – dizia o jovem, que parecia estar choramingando – o que mais podia ser aquilo?

- Nossa imaginação, nossa cabeça… – disse a mulher, ainda curtindo a situação.

- Isso aqui não existe?! – perguntou, com uma pitada de ironia nervosa, o religioso.

A mulher deu mais uma risadinha e abriu os olhos para o céu azul. Para o céu e mais algumas coisas que voavam ao redor e acima dela, como um sofá velho, um garfo e um banco de praça.

- Pode ser nossa cabeça colocando o mundo fora dos eixos…

Publicado por: timoteopinto | março 7, 2009

Crítica do Discordianismo Puro

por Ari Almeida

Eu sou chato & Você é chato.

Quem disse isso foi um cara que não é chato. Seth Godin, o marketeiro número um da Internet. Certo, ele estava se referindo principalmente ao gerenciamento de Marcas & Produtos, mas não só. Ele disse: Se você não está discutindo seus produtos, seus serviços, sua causa, seu movimento ou carreira, a razão é que você é um chato. E provavelmente é um chato de propósito. Porque é mais seguro. Seus produtos (ou suas idéias) são chatos porque você faz o que o mercado (ou seus amigos, ou seus leitores, ou até mesmo suas convicções) quer ou espera. Ser notável custa tempo & emprenho, mas o mais importante: ser notável custa a coragem de errar.

Quem mantém um blog deveria saber quando está sendo chato. Eu mantenho (ou mantinha?) e admito que estou sendo um chato. Não 100% do tempo, espero, mas a maioria, com certeza. Se eu fosse realmente notável, o delinquente.blogger seria um dos blogs mais influentes da da blogosfera brasileria e sabemos que não. Bom, sou chato, mas não sou burro.

Mas sou mala. Tenho lá minhas suposições sobre o que é um texto que presta, quem é a aundiência do blog e o que ela espera. Procuro os textos mais impactantes, contanto que eles tenham o mínimo risco de afugentar o leitor fiel. Os posts sobre os assuntos que o máximo de leitores do blog possam se interessar. Aposto no seguro, covardemente.

Reconhecer que se é chato já é um começo, logo, começei. O pior chato é o que não se enxerga. Eu quero mudar o horror! Bora então, senta que lá vem a história.

Era um vez um post no delinquente ponto blogger que continha um capítulo de um livro de C.G. Jung. Como faz anos que bato de frente com Janos Biro sobre questão materialista e principalmente sobre a crítica dele com relação ao simbolismo, mandei o texto por e-mail e propus um debate. Compartilho com vocês aqui a resposta que obtive.

Olá

Quer dizer que você ainda está vivo. Que coisa.

Ari, eu não aprecio as tensões dialéticas, por mais que eu não consiga evitar um debate, não agrada ter que participar de um. De fato, me incomoda. Lembra do senhor Miagui? Ele é um mestre de caratê que odeia lutar. Como eu.

E eu não tenho muito que discutir com Jung. Não sou um iluminado, para mim não me importam as luzes da razão humana. Aqui está um cara dizendo que há uma parte desconhecida da mente, e ao mesmo tempo fala dela como se a conhecesse melhor que ninguém. E se eu não me apego a essa tese, é porque tenho medo do que é novo. Ao contrário, me parece que a síndrome mais marcante da modernidade não é a neofobia, mas a neofilia. A modernidade é uma reação à tradição, e por isso talvez o nosso caro amigo Jung ainda pense que seja uma coisa terrível desconfiar das maravilhas da ciência moderna.

Não estou discordando da sua tese central. O que eu penso é que se há uma mentalidade típica da sociedade tecnocrata, esta inclui como valor central a inexistência de verdades, partindo do pressuposto cartesiano que devemos duvidar de tudo. Eu duvido disso. Eu creio em verdades profundas, transcendentais, bem fundamentadas e consideravelmente estáveis. Se eu não cresse, eu estaria patinando no gelo. Você diz que não há nada pior que uma convicção, mas não coloca isso em dúvida. A falta de orientação pode ser pior.

Janos

O puto deixou o Tiro Na Boca Com Muito Amor & Carinho por último. Um discordiano de presto soltaria uma gargalhada na frase anterior, a das Verdades Profundas e nem repararia na frase final, as gargalhadas impediriam, tal qual um ponto cego. Mas é aí que está o Grande Abacaxi Cósmico que vou propor que descasquemos.

Nós, discordianos, caoístas, leitores de Robert Anton Wilson, Lúcio Manfredi e quejandos, costumanos nos gabar com muita pompa que não temos crenças (toda crença é uma prisão), mas sim, olha que style, meta-crenças. No entanto um questionamento se faz necessário. O que ganhamos com isso? Não somos dogmáticos, logo, estaremos sempre longe de fundamentalismos vãos e da fila para vagas de homens bomba. Certo. Nosso intelecto estará sempre aberto a novos conhecimentos, posto que não descartamos idéias conflitantes. Certo também. Nos divertimos muito com a tosquiçe dos proprietários de convicções, rará, otários, nós somos superiores. Certo?

Certo? Hã? Se eles são uns otários, não seríamos nós um bando de babacas pedantes?

Vou mudar o formato e até mesmo o enfoque da pergunta para tentar deixar mais claro o ponto em que quero chegar e o desafio que quero propôr. A ausência de configurações nos torna pessoas mais Felizes & Realizadas?

Vou ser franco aqui, ficamos posando de Sétimo Circuito enquanto na verdade estamos chafurdando num lamaçal de terceiro circuito. Não basta apenas uma compreensão intelectual do conceito de meta-crença. Assim sendo caímos naquilo que nosso tão estimado Nietzsche, o Bigode, alertava. O conhecimento pelo conhecimento que não leva a nada além do vazio absoluto, o niilismo em sua forma mais perniciosa. Enquanto não realizarmos uma mudança de consciência, não seremos pessoas Felizes & Realizadas & Cools. Uns Coolzões, no máximo.

Mas a premissa inicial era deixar de ser chato, não é mesmo? E tem coisa mais chata do que um reclamão, que reclama, reclama, reclama e não apresenta nenhuma proposta? Pois bem, já cheguei no ponto em que queria chegar, então agora vou propôr o desafio que falei antes.

Uma vez Marcelo Adnet, no seu Quinze Minutos da MTV citou uma anedota antiga em que, discutindo os méritos e deméritos do funk carioca com um conhecido, ouviu essa jóia:

- Pessoas que gostam de funk são mais felizes.

Com essa frase em mente, observe uma micareta. Ou então um pagode em uma laje qualquer. As festas de peão boiadeiro e seus bailões sertanejos. Uma gafieira regada a brega rasgado. Assista um DVD do Tchê Garotos. Mas sempre com a frase do Adnet em mente, apenas trocando o funk pelo rítmo observado. Robert Anton Wilson costumava dizer que era saudável ler artigos com visões políticas e ideológicas diferentes das nossas, beleza, só que considero esse exercício fácil de mais, pois ele lida com o intelecto, sempre mais maleável, ainda mais que temos posse do conhecimento da existência das meta-crenças. Com música a coisa se complica, pois ela lida com as emoções de segundo circuito.

Pois bem, após essa introdução inicial, vamos ao desafio propriamente dito. Escolha seu ritmo, estude-o e baixe os discos mais relevantes e durante um mês escute somente ele. Escute bastante, coloque que em seu mp3 e escute no ônibus, no caminho de casa ao trabalho ou escola, faculdade, o que seja. Decore as letras, em seu quarto tente dançar. Pesquise na net informaçòes sobre os cantores ou bandas. Conheça o assunto em profundidade. Durante um mês, a cada fim de semana, frequente baladas onde tocam esse ritmo.

Esse exercício é interessante porque além de mexer com as emoções de segundo circuito, numa dessas, quem sabe, de repende, vai saber, numa dessas baladas você pode conhecer alguém totalmente fora de suas expectativas, ser surpreendido por essa pessoa e dar uma boa chacoalhada no seu quarto circuito.

Eu por exemplo estou fazendo isso com música sertaneja, para o infortúnio de meus colegas de trabalho. Começei assim, toda a tarde faço meu prézinho de sertanejo no trampo, ouvindo 101.5 Clube FM aqui de Curitiba e vou anotando o nome das duplas e as músicas. Depois baixo os discos, ponho no meu MP3 e vou escutando no caminho de casa enquanto leio meus Nietzsches e Jungs nos buzuns que pego, são três. Vocês não imaginam a experiência sensorial que é ler Aurora ao som de Hugo Pena & Gabriel.

Já sou até fã de alguns, tenho minhas preferências. Guilherme & Santiago, Mateus & Cristiano, César Menotti & Fabiano, Gino & Geno. Claro, não precisa ouvir tudo, afinal, gosto de rock e nem por isso gosto de Snow Patrol ou Death Cab for Cutie. Nem com o caralho, mas nem fodendo vou escutar um disco do Daniel. Quer dizer, fodendo, dependendo da mina, talvez. Mas de livre e espontânea vontade, nem a pau. Chitãozinho & Chororó eu também não tchuns.Mês que vem vou comprar a indumentária pra causar mais nas festas, chapéu, cinto maneiro, botas estailes e um jeans invocado.

Publicado por: timoteopinto | março 3, 2009

Koan do mamão solitário

ou
O Bater da Palma de um Mamão

traduzido e contextualizado por Pedro Parrachia

A muuito tempo, num templo kennin havia um mestre chamado Mokurai, o Trovão Silencioso. Ele cuidava de um garoto de doze aninhos chamado Toyo. O moleque todos os dias via os discípulos mais velhos visitarem o mestre fora das aulas, todas as manhãs, todas as noites. Tanto para receber instruções pessoais de sanzen, como para pedir ajuda a driblar obstáculos e resolver problemas como teoricuzices e frescuras do gênero. E todos eles recebiam koans difíceis e misteriosos para pensar no caminho de casa.
(porqua naquela época não tinha ônibus nem propagandas no caminho)

Dai, o guri quis fazer sanzen, também.
(soou legal nea?)

“Não,” disse Mokurai. “‘Cê ainda é muito cabaço.”

Anoitecendo, o moleque foi até a porta da sala de sanzen do cara e bateu no gongo avisando que tinha chegado, como nada aconteceu e havia gostado do barulho, ele deu umas porradas bem altas na merda do gongo até o velho acordar irritado e amaldiçoar 5 gerações futuras do guri.

Tendo o chamado antendido, fez 3 reverências e entra, senta e fica com uma cara de bicho de pelúcia pedindo por favor. O mestre aceita ensinar ao pentelho e começa:

“Você sabe o som de duas mãos quando elas batem uma na outra, mas me diga como é o som de uma mão.”

Não, ele não bateu punheta. Ao invés, reverenciou de novo o coroa e foi pro quarto dele pensar naquilo tudo. Olhando para a mão ele pensa, “Puta merda, 5 gerações…”. E nonada ele ouviu de sua janela o uma gueisha cantando, mas seu canto era esquisito, era como se estivesse com alguma coisa na boca… “Ah, deve ser isso!” concluiu ele.

Na noite seguinte, quando o mestre pediu prele ilustrar o som de uma mão, Toyo começou a imitar os sons da geisha.

Assustado o velho pergunta “É esse o barulho que você faz quando… Você andou se masturbando, seu pestinha?!”

Aturdido e sem saber o que “gemer como uma vadia” significava, resolveu ir num lugar mais calmo para meditar. E meditou. “Como diabos é o som de um mamão?”. E aconteceu dele ouvir o barulho do rio correndo.

Na noite seguinte ele imitou o barulho do rio pro mestre.

“Quê? Não ‘leque, isso é barulho de água.”

Em vão o guri meditou. Ele ouviu o barulho do vento, que foi rejeitado. O choro de uma coruja, grilos, e ele não desistia.

Por vinte e três vezes ele visitou o mestre com sons diferentes. Todos mó viagem. E ficou assim por quase um ano.

Mas um dia, nonada, o pequeno grande Toyo conseguiu entrar num profundo estado meditativo e transcendeu todos os sons. “Já não havia mais nada pr’eu chutar” ele explicou depois, “então me veio na cabeça o som sem barulho.”

E ele descobriu o som de um mamão só.

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