por Papisa Fernanda
por Papisa Fernanda
Publicado em Uncategorized
-><-
um pequeno intervalo na Discórdia Brasilis para uma demonstração da Discórdia Portugalis
-><-
a deusa disse: – “as horas são velozes…”
e
mais disse: – “o inferno é azul”.
disse-o e, nós crentes, só pelo facto de o ter dito – aceitamos.
só podemos aceitar.
uma maçã caiu
e
uma explosão de discórdia se fez sentir. foi nesse momento que os relógios inverteram o sentido dos seus ponteiros e impuseram um novo ritmo.
- “somos uns viciados em bolsos…” disse o papa jonas ao abrir o novo templo ao culto ciclista.
e
a nossa virgem e senhora das bicicletas fez uma nova aparição – todos levantaram as mãos ao céu
e
a grande senhora nomeou os seus 23 papas ciclistas (porque 23=2+3=5).
não. a santa igreja das bicicletas não é uma cisão (de maneira nenhuma) da doutrina discordiana.
não.
a santa igreja das bicicletas é, tão só, um templo, uma loja, uma venda, uma tasca que obedece ao rito vanguardista/velocipédico dos 5 elementos – a saber:
volante
roda
pedal
selim
campainha
daí se infere que a santa igreja das bicicletas é una e indivisível – logo verdadeira
e
braço/ramo da grande árvore discordiana: a macieira
(precisamente. essa macieira a que o papa jonas e todos os outros papas nossos, recorem para o encosto dos seus velocipédicos instrumentos de culto)
“quando a luz se desfaz… sentimos o poder da luz
e
as trevas abandonam, num repente, os nossos corpos”
(in livrociclo fnord II, ver-cíclo XXIII: “o do percurso das 5 virtudes”)
os nossos evangelhos não foram escritos pelos doutos e sapientes sacerdotes.
os doutos e sapientes sacerdotes da velocipédica e santa igreja são meros guardiões
e
veículos de transmissão da grande deusa éris e sua santa “irmãzinha” a nossa senhora das bicicletas.
e foi assim que o papa jonas concebeu o grande tarot discordiano
e foi assim que o papa affi escreveu o apocalipse da discórdia
no apocalipse da discórdia há 5 cavaleiros. 5 grandes espíritos prontos a gerar o kaos II – porque primeiro foi o kaos I e no fim dos tempos o kaos regressará – será então o kaos II…
pois
precisamente
e
é por isso que o nosso templo é um phalo.
um belo phalo que se eleva na direcção dos céus.
um phalo enorme que se abre na base aos fiéis da grande maçã.
os ciclistas, porém, passeiam-se em torno do templo
e
a deusa excita-se (muito) ao sentir os rodados dos instrumentos velocipédicos no terreiro.
mas voltando aos 5 cavaleiros apocalípticos… eles vão surgir para gerar o kaos final (segundo reza a epístola de affi – papa discordiano e mago kaoísta).
eles vão aparecer do nada, montados nos seus motociclos
e então…
só então
o tempo sofrerá uma paragem de não tempo.
o tempo deixa de ser tempo
e
não mais haverá tempo para nada.
os comboios não mais cumprirão horários, os transportes públicos e…
bom, vocês nem calculam o que vai ser o kaos II.
o kaos II (o da banana), é uma foda total.
depois do kaos II, virá o kaos III (o do melão) e o kaos IV (o das uvas)
e
só muito depois
o grande kaos V…
ora o kaos V, é o nosso kaos, o único kaos verdadeiro.
é o kaos ciclista, o caos onde todas as manhãs vão chover maçãs para que os fiéis se alimentem pelo conhecimento.
para ficarem mais espertos – porque adquirem o conhecimento empacotado na maçã.
e
todos seremos mais saudáveis porque comemos as maçãs
do e no kaos
da e na discórdia…
é…
todas essas merdas, vêm nas escrituras.
então… muito felizes, comeremos perdizes e cantaremos em coro:
todas as manhãs
comemos maçãs
comemos maçãs
temos as mentes sãs
Publicado em Uncategorized | Tags:igreja real do monociclo sagrado
No dia 23 (se for no dias 23 de Maio de 2003 ou 2005 melhor! – procure uma Maquina do Tempo mais proxima) prostre-se (oh palavra escrota) diante da Grande Bola Que Te Queima e Te Transforma em Camarão Quando Vai a Praia Porque Tu Não Usas A Porra do Filtro Solar Mais Doravante Isso Não Importa Porque Não Faz Parte do Ritual!
Agora, olhe fixamente para o grande astro rei….olhe mais um pouco…um ppouco mais de devoção….agora pode sair correndo e gritando como um louco porque estarais CEGO!
Depois deste teste de Fé, comece a Vibrar o Grande Mantra Sagrado:
OM Padymivaraycumdyeduvay Qye tuatafyareu!!!
Este mantra deve ser vibrado de uma só vez na expiração, entoe 5 vezes, junto com o mantra vizualize o Sagrado Vimãna chegando. Se quiser pode colocar uma musica tocando para auxiliar o Ritual (pode ser o tema central de Star Wars).
Quando estiver em total estado de Gnose (ou seja, completamente doidão) grite a Grande Chave Alquimica Enochiana da 15ª Dimensão:
HAKUNA MATATA!!!!!!!!!!!!!
Neste momento se Manifestará o Sagrado Vimãna do 5º Sol, ele pousará diante de Ti e dele irá sair o Grande Deus Arquétipo do Proximo Aeon!!!!
P.S.: Qualquer semelhança do Grande Deus Arquétipo Do Proximo Aeon com o Bozo não é mera “coincidencia”. E quem rir e acreditar no que aqui está escrito ou quem não rir e não acreditar ou quem acreditar e…..ah dane-se!!!
Publicado em Uncategorized
Por Marcelo Pirani (True Hare)
Muito bem, então você agora é um Discordiano. Já passou por todos os estágios e rituais necessários, até já raspou metade dos cabelos e deixou a outra metade intacta (pra que exatamente você foi fazer isso?) e agora seu título oficial é Papa. Você esfrega as mãos, satisfeito. “Vamos começar!”, pensa.
E depois? Qual o caminho que você segue, para melhor servir à Deusa? Quem sabe ganhar muita grana e umas minas/uns carinhas no processo? Ou mesmo se for só pela segunda opção (Eris adora esse último caso, dizem)?
Tem gente que segue logo ao pé da letra, e começa a “discordar” de tudo. Meio que confundem Discórdia com Discordância (se é que existe alguma diferença). Bom, se você consegue discordar mantendo o respeito pela opinião do outro (nem que seja pra rir sozinho mais tarde), salientando-se que “manter o respeito” significa também enfiar a mão nas fuças do sujeito se ele começar a querer crescer demais, então este pode ser um caminho bem iluminador.
É só lembrar, o que sempre moveu o mundo foi a insatisfação com O Que Estava Por Aí. Duvido que os outros homens das cavernas não tiraram um puta sarro do troglodita magrelinho – aquele que ficava escondido num canto da caverna a maior parte do tempo e nunca saía pra caçar, pra não atrapalhar os outros – quando este apareceu com aquela tal de “roda”. Se ele fosse acreditar no que os outros rosnavam, se concordasse com eles que era impossível existir uma solução tão simples para o problema do transporte de carne de mamute ou sei lá do quê, nada teria mudado.
Portanto, se você é capaz de separar Discordância/Discórdia de Desrespeito, vá em frente. Se por outro lado você já parte pra porrada logo que alguém te contraria, sei lá, vá em frente também. Na pior das hipóteses, a polícia acaba te pegando (demonstrações MUITO grandes de Caos geram respostas violentas de Ordem. Às vezes é até divertido, pra falar a verdade. Pelo menos pra quem assiste).
Ou talvez você siga a linha mais caótica, imprevisível e porra-louca. Muitas das coisas que vêm de você, seja por palavras ou ações, são totalmente inesperadas mesmo por quem te conhece há tempos. Você muda de idéia com a mesma freqüência com que muda as estações de rádio dentro do carro durante um engarrafamento – isso quando não larga o carro lá no meio e vai embora a pé. Em casa, sua mãe pensava que havia tido trigêmeos e por algum motivo apagara o fato da memória… E que seus filhos fingiam ser um só porque queriam deixá-la louca pra botar as mãos na herança.
É um bom caminho? Se você consultar a sua Pineal, aposto que a Deusa vai dizer LÓGICO QUE É! Bom, sei lá, quando eu perguntei, ela pareceu entusiasmada. Eris sempre adorou uma confusãozinha saudável. E mantendo-se assim, sempre em mutação, além de não se tornar uma figura cansativa, você mantém sua mente sempre exercitando-se e, com um pouco de sorte, evoluindo.
Por outro lado, claro que a Lei de Compensação Caos/Ordem (citada três parágrafos acima) funciona aqui também, e se você começar a ficar MUITO imprevisível, pode acabar passando uma boa temporada num hotel tão aconchegante que todos os hóspedes ganham, já na entrada, um agasalho maneiro e um quarto todo acolchoado. Às vezes, até rola uma massagem relaxante, que te deixa BEM calminho e com belas marcas roxas por todo o corpo. Tirando a parte da massagem, pode ser exatamente aquilo que você estava procurando para meditar em paz (se mesmo com a concussão der pra meditar, nem precisa excluir a surr… hã, massagem). Portanto, não hesite em seguir esse caminho se for a sua praia, pode ser bem recompensador.
Tem também o sujeito que vira Discordiano porque se desencantou com a religião de onde vinha, e fica comparando as duas. Pode até ser que, de início, esse cara (doravante conhecido como Você) esteja tentando “comparar as grades”, pra provar que o Discordianismo é melhor do que qualquer que fosse sua filosofia anterior. Eu digo que, se isso é importante pra você, vai fundo. É um bom começo. E você provavelmente vai acabar se convencendo rapidinho do que já sabia, mesmo. Se você se converteu ao Discordianismo, é porque já o achava melhor, e qualquer prova, por menor que seja, vai te servir. E eu não tou criticando, isso é um bom começo, como já foi dito, e em pouco tempo você vai acabar percebendo como essa discussão é irrelevante, de qualquer forma. Mas é um ritual de passagem.
E esse caminho parece que costuma levar mais rápido à aceitação do conceito de “grades”, que eu citei agora há pouco e do qual eu particularmente sou fã incondicional. Se você ainda não conhece, vá ler o Principia, pô! Tá tudo lá, preto no azul com bolinhas vermelhas (as cores podem variar dependendo do que você tiver tomado). De qualquer forma, nesse momento, que pra você talvez até já tenha passado (e nesse caso você pode até vir a concordar comigo), a gente se dá conta de que afirmar “o Discordianismo está Certo e as outras, Erradas” é exatamente como dizer que uma grade é mais Verdadeira que outra. E que se for pra se tornar um fanático, o Discordianismo talvez não seja a melhor opção.
Bom, claro que você pode mandar tudo à merda e virar mesmo um Discordiano fanático. Vai ser meio esquisito, pois Fanatismo costuma combinar com Ordem, e uma hora a pessoa desiste ou do Fanatismo, ou do Caos. Se você conseguir atingir um equilíbrio entre os dois, o que deve ser bem difícil, e continuar sendo um Discordiano fanático, provavelmente merece louvor, nem que seja pelo esforço.
Ou você é do tipo que não leva nada a sério, e tá nessa só pela gozação? Esse negócio de Discordianismo é tudo uma piada, no fim das contas, certo? Quer dizer, você não acredita DE VERDADE que Eris se comunica com você pela sua Pineal, acredita? Qual é, pessoal, essa mulher não existe, vai me dizer que vocês acham que sim?
Bom, nesse ponto o Erisianismo leva uma enorme vantagem sobre grande parte das religiões por aí. Porque, Eris existindo ou não, ela não se importa se você acredita ou não nela. Você não vai pro inferno se não acreditar. Se Ela existir mesmo (e eu, como bom discípulo, não estou afirmando nem negando nada), vai se dar por muito satisfeita se você acreditar na filosofia dela. Em outras palavras, seja você um Discordiano que está nessa apenas porque achou a filosofia bacana ou um que realmente tem fé na Deusa e segue seus ensinamentos, pra Ela é a mesma coisa.
E mesmo se você só APARENTA seguir a filosofia Discordiana, mesmo que lá no fundo nem acredite nela, se você é um Discordiano por pura gozação, ainda assim estará gerando Caos suficiente para deixar a Deusa satisfeita. Mesmo se ela não existir.
Claro, isso é só o começo. Esses são apenas alguns tipos básicos de Discordianos. E você ainda pode misturar cada um desses com um dos ou todos os outros (sem falar nos tipos básicos que eu nem citei), na proporção que quiser, criando infinitas possibilidades. E isso, aos olhos da Deusa, é Bom. Pois seja qual for seu caminho, você estará contribuindo para deixar o mundo um pouquinho mais caótico, ou seja, menos chato. Bom trabalho!
Publicado em discordianismo | Tags:erisianismo
por dudektria
Acordo. Olho o relógio. São 8:23 da manhã. Só mais cinco minutos. Acordo. Olho o relógio. São 8:28. Me levanto. Como algumas bananas acompanhadas com Coca-cola Zero.
Estou seguindo essa dieta rigorosamente desde o início da semana, na tentativa de manter mais triptofano no meu cérebro durante o dia. Segundo Aldous Huxley, nossa mente só consegue receber uma certa quantidade de informação diária, devido a fatores evolutivos, desenvolvidos na época em que éramos mais macacos que homens. E um bom jeito de “ver mais do que o normal” seria através de drogas alucinógenas. Robert Anton Wilson recomenda a maconha, embora não seja por muitos considerada alucinógena, porém reconhece o maior poder de outras, como o DMT, a salvinorina, o LSD, a serotonina e o LSA.
Como eu não quero “ver mais que o normal” atrás de uma jaula, ver o sol nascer quadrado, finjo ser um macaco a comer bananas, que contém triptofano, precursor biológico da serotonina. Engraçado, este é um arquétipo símio bastante pobre, semelhante ao que temos dos coelhos, de que comem só cenouras. Se fosse eu um macaco, além de quase não comer bananas, já estaria certamente atrás de uma jaula. Não parecem funcionar, tanto as bananas, quanto as jaulas, para qualquer fim que seja.
Mas, sinceramente, não sei bem para que serve a Coca-cola Zero.
Depois de um banho, já estou pronto. Corro para pegar o ônibus. No ponto, olho o relógio. São 9:23 ainda. Espero cinco minutos e pego o primeiro UFSC semi-direto que encontro. Um carro da Transol, de número 0235. Não sei para onde vão essas latas azuis no final do dia mas, com certeza, vão todas para o mesmo lugar. Devem ser muitas e, como são todas iguais, não só é inteligente como indiscutivelmente necessário numerá-las. No fim, o “0235” serve justamente para por ordem naquele maldito lugar, seja lá onde for. Ônibus nessa cidade nunca foram rápidos, ainda mais que o meu destino é o terminal viário do centro.
Chego. Olho o relógio. São agora 9:55. Demorei, pensei. Vou ao chafariz do terminal. Aqui, no terminal municipal, existe um belo chafariz, como que para entreter os passantes com a água que, além de não a beberem nem a usarem para refrescarem-se — certos estão eles, claro, afinal, não são animais, que nojeira seria! — só a vêem cair, cair e cair. Tentem fazer um chafariz aonde a água só sobe, sobe e sobe. Ai então vão realmente entreter os passantes.
Me sento em um banquinho, sorte de haver encontrado um. Um desses quadrados. Digo, cúbicos. Na verdade, chamam-no de “banquinho” por consideração, carinho. É um bloco de concreto que, ao brotar do chão, revestiram com cerâmica, dessas bem baratas. Mas ainda assim servem muito bem para sentar-se.
Espero. Olho o relógio. 10:05 ainda. Logo chega uma garota, não muito alta, não muito baixa. De um ruivo que confunde. Será que é castanho? Não, na luz parece mais um loiro escuro. Estranho. Veste um, lógico, vestido. Fantástico. De cor indistinguível para mim, já que sou daltônico. Daltonismo é algo engraçado. Todos pensam que faz a pessoa ver em preto e branco, enquanto que na verdade apenas confundimos alguns tons, trocamos algumas cores. No meu caso, por exemplo, confundo alguns violetas por azul, alguns amarelos escuros por verdes e uns tantos azuis claros por tons de cinza. Com certeza ela observa cores melhores que eu. É que o daltonismo está relacionado com um gene recessivo no cromossomo masculino. Quer dizer que mulheres passam a desordem aos seus filhos, mas só a manifestam os homens. Discreto, sinceramente humilde o vestido, como de uma dama oriental. Mas ainda assim, digo, fantástico. Ouso dizer, digno de uma divindade seria. No específico caso, o é.
— Vago está? — pergunta a garota, agora sem poder ter a idade reconhecida. Que absurdo, seriam dezenove anos? Seriam trinta?
— Claro, desde que não me arranque o sol — respondi.
Sentou-se no “banco” atrás de mim. “Atrás” é discutível. Estes assentos são perfeitamente simétricos, senta-se na posição que agradar. No momento, estava eu sentado de costas para o sol, abraçando minhas pernas de leve. Ela então senta-se no banco ao lado, mas de frente para minhas ensolaradas costas.
— O sol parado está, nem eu posso de lá o tirar.
— Falo sobre as ondas eletromagnéticas que emana, não quero que teu corpo produza obstáculo para as pobrezinhas até meu corpo. Absurdo seria se com isso o sol se deslocasse. Haveria motivo para que pudesses fazê-lo?
— Claro que sim. Digo, claro que não.
— Entendo. — Na verdade, porra nenhuma.
— Somente digo. Remédios psiquiátricos, os tomo. Tente evitá-los. Não vão te bem fazer.
— Que? — Me viro para olhá-la melhor, de espanto. Seria o português sua língua nativa? Pois não parece…
— Com essa tua dieta, haverias de várias dores de cabeça horríveis ter.
— Dieta? — Grandes olhos ela tem. Azuis ou cinzas? Talvez um verde muito claro. São como dois caleidoscópios.
— Bananas. Queijo nesses tratamentos também deves evitar. Se não queres enxaquecas ter.
— Mas eu não estou em nenhum tratamento desse tipo…. E como sabes das bananas?
— Não o sei. É tu quem sabes.
— Quem és tu?
— Com certeza psiquiatra não sou. Sobre a guerra de tróia, já leste?
Onde está?
Acordo. Olho o relógio. São 8:23 da manhã. Só mais cinco minutos. Acordo. Olho o relógio. São 8:28. Me levanto. Como algumas bananas acompanhadas com Coca-cola Zero…
Publicado em discordianismo | Tags:Aldous Huxley, banana, coca-cola zero, erisianismo, maconha, Robert Anton Wilson, triptofano
ou
O Bater da Palma de um Mamão
traduzido e contextualizado por Pedro Parrachia
A muuito tempo, num templo kennin havia um mestre chamado Mokurai, o Trovão Silencioso. Ele cuidava de um garoto de doze aninhos chamado Toyo. O moleque todos os dias via os discípulos mais velhos visitarem o mestre fora das aulas, todas as manhãs, todas as noites. Tanto para receber instruções pessoais de sanzen, como para pedir ajuda a driblar obstáculos e resolver problemas como teoricuzices e frescuras do gênero. E todos eles recebiam koans difíceis e misteriosos para pensar no caminho de casa.
(porqua naquela época não tinha ônibus nem propagandas no caminho)
Dai, o guri quis fazer sanzen, também.
(soou legal nea?)
“Não,” disse Mokurai. “‘Cê ainda é muito cabaço.”
Anoitecendo, o moleque foi até a porta da sala de sanzen do cara e bateu no gongo avisando que tinha chegado, como nada aconteceu e havia gostado do barulho, ele deu umas porradas bem altas na merda do gongo até o velho acordar irritado e amaldiçoar 5 gerações futuras do guri.
Tendo o chamado antendido, fez 3 reverências e entra, senta e fica com uma cara de bicho de pelúcia pedindo por favor. O mestre aceita ensinar ao pentelho e começa:
“Você sabe o som de duas mãos quando elas batem uma na outra, mas me diga como é o som de uma mão.”
Não, ele não bateu punheta. Ao invés, reverenciou de novo o coroa e foi pro quarto dele pensar naquilo tudo. Olhando para a mão ele pensa, “Puta merda, 5 gerações…”. E nonada ele ouviu de sua janela o uma gueisha cantando, mas seu canto era esquisito, era como se estivesse com alguma coisa na boca… “Ah, deve ser isso!” concluiu ele.
Na noite seguinte, quando o mestre pediu prele ilustrar o som de uma mão, Toyo começou a imitar os sons da geisha.
Assustado o velho pergunta “É esse o barulho que você faz quando… Você andou se masturbando, seu pestinha?!”
Aturdido e sem saber o que “gemer como uma vadia” significava, resolveu ir num lugar mais calmo para meditar. E meditou. “Como diabos é o som de um mamão?”. E aconteceu dele ouvir o barulho do rio correndo.
Na noite seguinte ele imitou o barulho do rio pro mestre.
“Quê? Não ‘leque, isso é barulho de água.”
Em vão o guri meditou. Ele ouviu o barulho do vento, que foi rejeitado. O choro de uma coruja, grilos, e ele não desistia.
Por vinte e três vezes ele visitou o mestre com sons diferentes. Todos mó viagem. E ficou assim por quase um ano.
Mas um dia, nonada, o pequeno grande Toyo conseguiu entrar num profundo estado meditativo e transcendeu todos os sons. “Já não havia mais nada pr’eu chutar” ele explicou depois, “então me veio na cabeça o som sem barulho.”
E ele descobriu o som de um mamão só.
Publicado em Uncategorized | Tags:koan, zen, zenarquismo