Publicado por: timoteopinto | Outubro 2, 2008

Sobre a aleatoriedade

por Darto

Até que ponto podemos considerá-la existente?

Quando não há padrão, então há aleatoriedade, há o caos. Nenhuma lei é respeitada.

Quando o observador olha uma situação e não vê relações entre os acontecimentos, então declara que ali há caos. Pode declarar erroneamente, se não foi capaz de perceber o padrão existente.

Então você executa uma playlist no seu Windows Media Player, numa “ordem” aleatória[meio contraditório, mas vá lá]. Gostaria eu de saber qual gênio discordiano que elaborou um algoritmo com um número finito de etapas capaz de randomizar o resultado, escolhendo uma música de forma completamente erisiana. Pensei, pensei, e não saí do lugar: continuo achando que há um padrão ali.

Não é difícil de pensar que tudo segue algum padrão. Este padrão pode envolver milhões de incógnitas que variam entre si, tornando a visualização das relações muito complicada para nós; isso não quer dizer que o padrão não exista.

E então a abrangência aparece. Se existe um padrão em tudo, então tudo está conectado. Logo, o efeito borboleta conecta tudo em uma só rodada. Então pode[deve] existir uma Teoria de Tudo. E qualquer assunto, qualquer devaneio e qualquer conhecimento que seja é universal e não pode ser desprezado.

Não é como se o determinismo se tornasse totalmente verdadeiro. Você segue um padrão de ações, mas existem as variações das suas escolhas, possibilitando um quase infinito de universos paralelos. Penso que toda decisão tomada ou não, é tomada ou não de modo racional. Seu cérebro recebe dados, processa e reage logicamente. “Mas eu agi com a emoção, e não com a razão!”; a emoção tem sua razão, embora não percebamos facilmente. “Mas ele é louco, e reagiu imprevisivelmente!”; a loucura tem sua lógica, e quem é louco vê. Fica difícil perceber se interpretarmos “razão” como o dicionário faz. Lembrando que a razão de cada um é diferente, e se fosse possível apresentar duas situações semelhantes em todas as suas variáveis para duas pessoas diferentes, então elas reagiriam de modo lógico, mas diferente; se fosse possível apresentar duas situações semelhantes a duas pessoas semelhantes[que passaram pelas mesmas experiências e que têm a mesma disposição biológica(ou seja, a mesma pessoa, o mesmo instante reelaborado){impossível}] então ela reagiria logicamente, de modo igual.

Nos humanos: toda reação racional carrega sua emoção, como toda reação emocional carrega sua razão. Somos resultado do universo em que vivemos: somos múltiplas incógnitas no mesmo momento, e qualquer abordagem que leve em conta menos do que infinitas variáveis será incorreta. Como nossa comunicação não levou infinitas variáveis em conta quando foi elaborada, então ela é imprecisa; não podemos nos ater a ela, somente. Qualquer abordagem que leve um número maior de incógnitas em conta do que foram levadas na elaboração da linguagem causará uma dificuldade de expressão. É como tentar colocar 3 dimensões em 2: você perde dados. Logo, meu texto saiu confuso, mais uma vez[tentando me justificar, mas não sou isento de culpa, claro. não sei utilizar nosso idioma em toda a sua plenitude]. Creio que você, leitor, completará as lacunas com seu raciocínio[diferente do meu], e isso resultará em novos sentidos a cada leitura. Aí estão as variáveis mudando tudo, mais uma vez.


Respostas

  1. actually, imprecisa é uma palavra que cai melhor no trecho “..e qualquer abordagem que leve em conta menos do que infinitas variáveis será incorreta.”
    e ainda assim é difícil medir quanta precisão é adequada para cada situação. será q vc viveria bem (como vive, vá lá, não necessariamente melhor ou pior), será q seria essa mesma pessoinha se visse como uma águia? (me perdi aqui, hope u get it)
    eu, particularmente, jamais haveria de querer tomar parte numa abordagem q levasse em conta infinitas variáveis :/ boring, ia durar infinitos preciosos evos
    nesse sentido a teoria dos erros experimentais é muito rica :D (devia-se estuda-la bem cedo na escola, eu acho); para cada coisa da vida pode-se atribuir um nível de precisão ótimo – assim com se pode discordar dele :D

    mas to contigo e não abro quanto à questão de que nossa mente cartesianinha é meio besta analisando caos. ve-se bagunça em lugar de padrões não-lineares, em geral.

  2. Hum, entendo o que quer dizer.
    Cai melhor sim, mais depende do referencial, hehehehehe
    Pra forçar uma percepção de que nada é certo, foi bom colocar incorreto. Impreciso é um incorreto “aceitável”. É bom repetir que as coisas que fazemos e representamos são incorretas. É melhor ainda perceber que isso não é ruim.
    A analogia com a visão da águia foi muito boa. Qual a precisão requerida na nossa vida? Se a visão da águia é melhor, quer dizer que ela está “correta”? A águia pode clamar para si o título de visão perfeita? No nosso cotidiano, seria exagero ter visão de águia. Mas isso só é assim porque nos acostumamos com a nossa vista. Quem é cego é considerado “defasado” na sociedade, infelizmente, e encontrará dificuldades fundamentalmente diferentes das nossas durante sua vida.
    Veja, concordo com você. Impreciso cairia melhor. Só tenho o mal costume de me aprofundar no lado da moeda que foi menos exposto, hehehehehe
    Numa primeira vista, eu gostaria de que pudéssemos abordar infinitas variáveis num instante. Alcançando, quem sabe, precisão infinita.
    Mas mesmo que pudéssemos, percebo que não gostaria disso. A diversão, o “”sentido da vida”", são as dificuldades.
    Levando em conta nossa situação real, eu nunca tomaria parte em abordagens de infinitas variáveis. Considero 5 iterações mais do que o suficiente. Querendo muito, procurarei um padrão, elaborarei um algoritmo e deixarei o computador se divertir um pouco auheuaheuahuehauehuaheua

    By the way, foi uma honra²³ ter um texto publicado aqui.

    Abraços!


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