Ninguém combate o medo. Não há como combater o medo. Não há como vencer o medo – digo, o medo em si. O sentimento em si. Tudo o que podemos fazer é combater a origem do medo. Se algo nos ameaça só podemos combater o medo racionalizando a ameaça e tentando nos livrar dela (convencendo-nos de que não é uma ameaça real) ou combatendo aquilo que nos ameaça. Se temos medo de fazer algo não podemos eliminar o medo. Podemos apenas fazer aquilo que temos medo de fazer e esperar para que depois que tudo foi feito o medo suma – se o resultado foi bom.
Já disse por aí uma vez que existem uns momentos especiais em que o que não era pra acontecer acontece. O tempo parece que para, uma foto é tirada na mente do momento e dá tempo de pensar “ih, fudeu”. É engraçado. Uma caneta caindo, por exemplo. Você vê que ela vai cair, você estende o braço pra pegá-la antes que ela caia, e se você não consegue tem uma hora em que parece que dá tempo de pensar “ih, fudeu”. Dá uma sensação momentânea estranha. É muito legal. Mas também tem aquela sensação de vencer o medo: é só fazer o que se tem que fazer. Segundos antes vem o plano: eu vou fazer isso, e isso e aquilo. E você fica esperando algum tipo de “momento certo”. Aí o momento parece chegar e o medo, que já estava lá e causou o atraso na “entrega dos planos”, ataca com toda força pra impedir. Mas aí é só começar que tudo se segue como numa corrente de eventos, e de repente você está lá fazendo tudo que planejou – com algumas diferenças que sempre existem na realidade – e o medo fugiu com o rabo entre as pernas. A coragem de fazer tudo sem ter nem uma ponta de medo – duvido dela. Mas também duvido, hoje, de uma batalha entre coragem e medo – coragem é o nome de um ato só. O primeiro. O primeiro passo é o mais difícil. Depois dele é muito provável que venha todo o resto.
Muitas pessoas dizem que devemos enfrentar nosso medo. Ouvimos esse conselho em todo lugar. O legal é saber que nosso subconsciente concorda.
Pesadelo: artifício utilizado pelo subconsciente forçando a pessoa a encarar seu medo num ambiente de teste, onde nada de ruim pode, teoricamente, acontecer. No máximo, um susto. Nada comparado a enfrentar a situação real[pelo menos assim julga o subconsciente].
Merci et au revoir.
Por: Darto" em Novembro 21, 2008
às 12:17 am
Humm VERDADE.
Tinha me esquecido dos pesadelos.
Mas até mesmo nos pesadelos, não enfrentamos o sentimento. Simulamos o inimigo e então o enfrentamos – ainda que perdemos, o fato de o termos enfrentado já nos deixa preparados.
– Em tempo: será que todo medo é medo do desconhecido?
Ou poder-se-ia dizer que não somos bem nós que enfrentamos os medos nos pesadelos, mas sim nossos subconscientes – acaba afetando nosso consciente, mas não da mesma forma… Ou não =D
Por: Peterson Espaçoporto em Novembro 22, 2008
às 2:19 am
[...] prender, queremos ter certeza de que não vai desaparecer, queremos ter o controle da situação. Medo? Não sei. Acho que é justamente isso que nos tenta à frágil promessa que acaba tornando tudo [...]
Por: Casamentos e Faculdades e as burocracias da vida moderna « Discordia Brasilis em Novembro 22, 2008
às 2:38 am
[...] O comentário fodão do Darto sobre um post que fiz no DB sobre o medo. E o meu comentário de respo… [...]
Por: Orkutcídio em Massa para Adoradores de Lasagna - Ah eu preciso de um resumo: em Novembro 22, 2008
às 2:41 am
Caro Peterson, mesmo quando estamos acordados enfrentando nossos medos, nosso subconsciente que o faz! Não conhecemos o inimigo, mesmo quando estamos cara a cara com ele; o que encontramos é nossa concepção, nossa interpretação dele através dos nossos sentidos[o que aproxima ainda mais a situação do pesadelo com a realidade].
Acho sim que todo o medo é do desconhecido. Afinal, se soubesse exatamente o que ocorreria, não teria medo. Os “e se” que dão aquele frio na barriga, saber que existem muitas possibilidades.
Semana de provas aqui é sempre a mesma coisa: todo mundo passando a cada 5 minutos no mural pra ver se a nota saiu. Aflição geral. Eu digo “O que adianta, pra que essa expectativa?”e todo mundo parece concordar: “Sei que fui mal, mas quero a confirmação”. O medo vai até a confirmação dele, no máximo. Depois é consequência.
Grande abraço!
Por: Darto" em Novembro 26, 2008
às 12:27 pm
Humm talvez estejamos falando da mesma coisa, veja:
1) Eu digo que não enfrentamos o medo, enfrentamos o que causa o medo.
2) Você diz que enfrentamos o medo porque o medo é o resultado da imagem que fazemos do nosso inimigo.
A questão é que quando digo inimigo, posso perfeitamente admitir (na verdade, sou muito mais adepto dessa sua teoria =D) que o “inimigo” seja uma representação na nossa cabeça. Afinal de contas, é aquela velha teoria de que não conhecemos a realidade, mas apenas temos uma idéia de como é o mundo etc.
O que eu quis dizer foi: de um jeito ou de outro, combate-se a causa, não o medo – que, eventualmente, desaparece com a causa. Exemplo:
Você está nervoso com uma, hum, cirurgia que vai fazer, sei lá. Existem várias maneiras pelas quais você pode tentar combater o medo, mas essas maneiras todas são justamente ataques que se dá na origem do medo. Se você não considera as causas, mas apenas você e o medo, o sentimento puro e bruto… Não há o que fazer. É ou pensar, racionalizar (manipulando então talvez algum tipo de concepção da realidade que te deixe ansioso -> atacando essa concepção e fazendo o medo desaparecer, não atacando o medo), ou comendo chocolate (tentando compensar com alguma coisa pra fugir do medo, pensando que talvez o problema seja pensar no medo, não o medo em si…), ou… Fazendo a cirurgia de uma vez! De todas as formas não se combate o medo, se combate o que o causa. Isso pode ser interpretado como combater o medo? Até pode, até pode… E aí caímos num problema puramente semântico =) Ainda defendo que o medo, o puro e bruto sentimento, não é combatido. Não tem como combatê-lo.
Por: Peterson Espaçoporto em Novembro 26, 2008
às 8:57 pm
Estamos falando da mesma coisa. =D
O medo é a expectativa ruim, abstrata, e só sua causa pode ser combatida.
Por: Darto" em Novembro 27, 2008
às 8:42 pm
Revivendo post antigo, eu simplesmente gostaria de agradeçer a pessoa que postou esse trecho, mesmo que ela nunca leia esse comentario me sinto no dever de escrever de volta para alguém que tanto me ajudou…. Sinto muito medo, muito mesmo, mas das formas diferentes a que mais me aflije é o medo de rejeição, ser ignorado por ter uma forma de vestir ou pensar diferente, se você me entende, terminei de me esconder, na casa de um amigo por causa desse medo, e posso afirmar que depois de ler essa noticia me sinto mais tranquilo… Parece ser coisa simples mas o post realmente me ajudou a construir uma chance para dar o primeiro passo… E eu queria adicionar mais uma coisa, você só pode enfrentar o medo quando você assume ter o medo, foi isso que eu terminei de descobrir, depois que eu pus na minha consciencia que eu TENHO MEDO DE CONVERSAR COM OUTRAS PESSOAS, eu me sinto mais apto a dar o primeiro passo…
E por mais uma vez eu lhe agradeço….
Por: Azure em Janeiro 16, 2009
às 3:14 am
Azure,
Obrigado pelo comentário. Cada vez que leio comentários como esse e vejo que consigo ajudar alguém de alguma forma tudo que escrevo vale a pena pra mim.
E você está certo; não só deixei escapar os pesadelos como também deixei de escapar isso de reconhecer o medo. Tem muitos jeitos de esconder os medos das coisas. Dizer que “eu só não faço algo” porque não gosto, ao invés de admitir que queria muito fazer mas não faço pq tenho medo, etc.
Desejo sorte, cara. Nunca sofri sofriii com isso mas sei, numa escala (bem) menor como é esse medo. Eu descobri que quando não se é muito normal nem todo mundo te aceita mas aqueles que te aceitam passam já por esse “filtro” preliminar, então quem sobra é só quem gosta de você de verdade. Desejo sorte e, enfim… Coragem =D
Abraço.
Por: Peterson Espaçoporto em Janeiro 17, 2009
às 12:41 am