por Reverendo Delphinus Lightbubble
Quem precisa de Deus no século 21? Sim, chegamos ao ponto de sabermos que há um universo gigante lá fora. Conhecemos o milagre da sonobioluminiscência nas profundezas de nossos próprios oceanos como também nas bolhas de luz nos laboratórios de vanguarda. Via eletricidade atingimos o ponto, sem retorno, do início de uma aldeia global. Ainda sim há um buraco, há um vazio que suga, não um vazio que alimenta, dentro de nós. Alguns abraçam esse vazio destrutivo e afirmam-se niilistas. Outros o negam veêmente, buscando um otimismo psicótico nas idéias, os religiosos, todos eles, os cientistas, todos eles, os que precisam e afirmam deus, os que precisam e afirmam a lógica, para si ou para si e para os outros.
Deus não está aqui. Deus não está no nosso momento. Deus não vai corrigir as merdas feitas por nossos ancestrais que habitam nosso cérebro reptiliano, nosso cerebelo. As escolhas que nos trouxeram a este beco sem saída, apenas a espera pelo pelotão de fuzilamento. Não. Deus, caso ele exista, irá apenas assistir. Como ele já o fez, em todas culturas patriarcais, sempre houve momentos em que deus assistia seu povo ser dizimado em nome de, bem, em nome de deus. Sejamos realistas, mesmo se formos teístas, deus não vai fazer porra nenhuma. Ou tira-se a própria bunda da cadeira ou vai-se virar sardinha em lata, meu irmãozinho terráqueo.
O que seria tirar a bunda da cadeira? Em primeira instância, seria ver a si mesmo de fora e dar risada de seus mecanismos de auto importância. Sair da máquina metódica monótona que é seu cotidiano, alimentado por ideias plantadas em você, pelos outros, desde pirralho. Olhe-se de fora. Veja novas conexões, veja novas trilhas, liberte-se de si mesmo, desmonte-se, machuque-se, liberte-se de 2000 mil anos de cultura e, yeah!, vá lá ouvir teenage atari riot, por favor, decididamente os stockhausen do trash alemão. Depois retorne e continue lendo a minha história de busca pelo poder que lhe soca rumo a trilha definitiva em direção à humildade, e não tem escola para isso, não tem egrégora para isso, não tem grupo ou sociedade, ou templo para isso, quer ver o mundo além do mundo como ele é, isto é, quer ouvir a voz do mundo? Atire-se no abismo, aprenda a voar, ou morra tentanto. Mas não me dê ouvidos, não sou de nenhum grupo, sociedade, egrégora, templo e sou um bruxo discordiano urbano auto-didata.
Que estudante de magia não quer encontrar a pedra filosofal? Diga ai? Pois é! Lembro-me de quando me escondia de baixo da cama de meus avós, para anotar, mentalmente, os números utilizados por meu avô para abrir o cofre que ele mantinha dentro de seu guarda-roupa. Meu avô saia sempre depois do almoço para ir levar minha voinha para o bingo geriátrico. Eu ficava ali, sozinho na chácara, filho de mãe solteira, mãe trabalhando, eu lá, só, rá!, batata! eu fumava o cachimbo de meu avô escondido, tinha apenas 10 anos na época, eu abria o cofre e ficava lendo toda papelada da sociedade secreta à qual meu avô pertencia desde 1945. Como também me dedicava a ler aqueles contos pornográficos que havia dentro das revistas de sacanagem dele, as vezes eu roubava algumas revistas pornô dele. Foi meu erro, ele descobriu e nunca mais pude me esconder sob sua cama para acessar seu cofre. Mas o potencial hacker havia sido semeado ali. Além de eu ter conseguido ficar com algumas das revistas que roubei, para com o tempo descobrir as vastas utilidades que um pinto pode ter.
A alquimia. A arte real. O segredo da obra divina. Quer saber qual é? Imagine o tempo enquanto ondas complementares, opostas, assimétricas, ondas que não são afetadas por nenhuma outra onda, vibrando o comando da consciência criadora, por tanto criando todas as outras ondas que em pressão, via choque, cria a matéria. Sacou? O problema é acessar esse estado, essa dimensão da percepção. Mais ainda, o problema é acessar este estado perceptivo e não ficar lelé da cuca, mermão! A via seca mata, mas a umidade enferruja, logo, qualquer método, o seguro ou o inseguro, ambos são incertos. Mas daquele momento na infância até hoje, aos meus 34 anos, dediquei-me a desvendar esse segredo. Não apenas desvendá-lo, mas praticá-lo. E há um preço. Eu perdi meu senso de importância. Eu perdi meu senso de individualidade. Eu sinto que não existo, ao mesmo tempo que minha função primal é insistir em existir. E isso é natural, são desses conflitos que nascem a Vontade, a potência que não apenas se sonha, mas que se realiza. Alquimia. Diga ai se os jogos divinos não são malucos?. Como se eu fosse apenas dois olhos olhando por olhar, para diversão de algo maior e incogniscível que utiliza-se de meus olhos de olhar para via mim olhar. Saqualé? Pois é. O preço da alta magia é a individualidade. Ela, a individualidade, essa ilusão alimentada por vários eus fragmentados e assustados com sua impotência perante o grande todo, a individualidade morre. Em vez de partícula, tornamo-nos ondas estáticas em progresso rumo ao mistério sem nome. Uma aventura, onde a maldição é a benção de ter apenas a opção de seguir em frente. Sempre.
Alquimia passa por ondas. Vibrações. E falarei muito disso por aqui. Magia passa por ondas. Também. Tudo, na real, passa pelo conceito de ondas. É uma revolução que deixamos de realizar várias vezes no passado, a revolução de mandar Demócrito, assim como a física de partículas para a puta que os pariu, no caso, os escrotos andrógenos do Zeus de Atenas. Esqueci de explicar, além de bruxo, também sou erisiano, logo, é como a mãe Éris disse que disse, somos livres, basta abrir o olho da pineal, neném. Se eu consegui chegar ao nível 4, você consegue, leitor, chegar ao nível 5.
Boa tarde Timóteo, gostaria de convida-lo para participar de uma atividade entre Rio de Janeiro e Lisboa no Dialogue Café (www.dialoguecafe.org) no dia 24/08.
Os seguintes pontos serão abordados:
- Introdução às razões que levam ao aparecimento de uma alternativa.
- O que é e como se faz uma alternativa?
- A causalidade alternativa e os princípios do projecto art&mente®.
- Aplicação da teoria à práxis (iniciativas do passado, em curso, futuras e de continuidade).
- Balanço de uma prática fenomenológica.
http://www.youtube.com/arteemente
http://arte-e-mente.blogspot.com
Caso interesse, faça contato comigo.
Luísa Sena
Por: Dialogue Cafe em agosto 17, 2010
às 6:53 pm