Posted by: timoteopinto | Fevereiro 27, 2008

Qual o seu relacionamento com o mundo?

por Reverendo Lugomast

Relação = Ligação

Mas e antes que exista um relacionamento? O que é preciso que exista?

Desconhecimento.

O desconhecer alguém é uma semente para o encontro.

Conhecer uma pessoa nova é algo fantástico, pois nos mostra o quando ainda desconhecemos do mundo.

Enfim, desconhecer é uma “benção divina”.

Conhecimento é mal. “Conhecer” implica que já sabemos, e isso é uma grande mentira.

Não sabemos.

Os métodos para obtenção do conhecimento?

Posso citar três aqui:

Religião: Simplesmente aceite que entidades mitológicas, com poderes mágicos, criaram e estão gerenciando tudo (que ótimo trabalho estão fazendo…)

Ciência: Danem-se os seres lendários. Vamos começar do zero, estudar as consequências, coincidências, e aplicar fórmulas e valores. (A ciência falha pois o ser humano é falho e pequeno. É um animal que aprendeu a multiplicar e dividir).

Filosofia: Porque? Porque perguntar porque? O que o homem sabe? O homem sabe? Realmente sabe? SABE que sabe? Ou só pensa que sabe?

Alguns chegaram a conclusão de que o conhecimento humano é apenas embromação. “Átomos” não eram pra ser indivisíveis?

O conhecimento não é algo que possa ser compartilhado, mas sim vivenciado.

Qual o maior tipo de relacionamento que existe no mundo?

É o relacionamento de ignorância. Pense um pouco, calcule: Somando todas as pessoas no mundo, você conhece mais pessoas do que desconhece? Impossível.

Tags:

Posted by: timoteopinto | Fevereiro 25, 2008

Os peixes mais bem vestidos ao oeste do Himalaia

por Reverendo Yyang 

Enquanto nas minhas viagens aprendi uma importante lição com o povo de uma pequena vila ao oeste do Himalaia. Creio que este seja o momento certo de compartilhar tal conhecimento com meus irmãos. Eu cheguei no tal vilarejo e todos lá vestiam roupas lindíssimas. Todas artesanais e enfeitadas com pedras brilhantes, penas e fitas das mais variadas cores. Por sorte eles falavam um dialeto de espanhol que dava pra entender e eu pude perguntar qual era o motivo das roupas, se seria uma celebração ou algo assim…
Eles me contaram que uma semana por ano eles confeccionam roupas do jeito que eles quiserem, qualquer coisa que gostem e as usam sem problemas. É uma semana que eles tiram para poder ser como quiserem sem ninguém tirar sarro de ninguém.
Bom, a idéia era interessante. Eles não tinham um “Seja Você Mesmo” eterno, mas tiravam uma semana por ano para fazer isso. O que já é melhor que muitos outros povos por aí.
Ao final da semana eles jogariam a tal roupa no rio e nunca mais as usariam. Elas não deveriam sequer serem comentadas depois disso. Seriam esquecidas.
É claro que eu também fui convidado e aceitei prontamente a passar o resto da semana ali e fazer uma roupa para mim também. E um tempo depois eu notei que rolava uma certa confusão na vila. E quando fui ver do que se tratava descobri um habitante que estava usando roupas completamente normais. Iguais as que ele usava o resto do ano, sem nem uma coisinha diferente. De fato, era uma roupa velha e gasta que ele sempre usava mesmo, sequer era nova. E por isso todos os outros discutiam com ele, dizendo que ele se recusava a participar da tradição. O coitado tentava se explicar, mas ninguém dava chance.
Mais tarde eu o procurei para perguntar sobre isso. Ele me disse que estava indo de acordo com a tradição sim, e estava usando a roupa de que mais gostava. Se ele pudesse usar qualquer roupa, dizia que queria usar aquela.
Eu tentei explicar isso pros outros habitantes, mas eles rapidamente retrucaram que aquela roupa não era algo diferente. Porém, segundo a tradição eles deveriam se vestir com qualquer coisa que quisessem… Eles não concordaram comigo no fim, mas pararam de implicar com o outro.

Então… Qualquer coisa é qualquer coisa. Caos é tudo. Ordem é Caos. Desordem é Caos. O diferente é Caos. O normal é Caos. O que você quiser é o que você quiser.
Não se esqueçam, irmãos… Todos estamos certos, errados e irrelevantes ao mesmo tempo.

Tags:

Posted by: timoteopinto | Fevereiro 22, 2008

Nem deus, nem alma, somente macacos muito criativos…

Assim fala Rev. Lugomast em Boomtime, dia 52 da estação do Chaos, 3174.

Não existe deus, nem alma, nem Jesus (mas no Inri Cristo eu acredito, pois já passou na tv.)

Deus foi o cabresto que alguns humanos criativos inventaram para manipular aqueles não abençoados pelo desconhecimento de Éris.

Alma é o maior produto de marketing já inventado até hoje.

MILHARES de pessoas cultuam esse produto, fruto da recusa em aceitar a morte, o pó, como resultado final, inexorável de toda criatura animal.

ACOMODAÇÃO daqueles que deixam para a próxima vida o que deveria ser feito hoje.

REVOLTA contra o fato de que os outros animais não pensam (e mesmo assim vivem melhor, ou já vistes um gato deprimido pois não conseguiu pegar um rato?) e pelo ser humano pensar ele deveria ter um destino diferente do que virar ração da mãe terra.

O grande marketing espiritual foi criado! Temos um gerente (deus) cuidando de nossas economias (alma).

Da forma como é feito: “Se seguirdes o que mandamos, sua alma terá conforto no paraíso” ou “Acaso nos desobedeça irás sofrer o tormento eterno”.

E assim milhares continuam a sobreviver, esperando uma recompensa no além morte, assim pensa um pobre espiritual, assim como o pobre pensa que um dia irá ganhar na mega-sena (Não tenho os números).

Esses milhares de milhares, obedecendo feito amebas, nem questionam os caminhos por onde seus cabrestos o levam. Precisam de um pai para limpar suas fraldas eternamente.

UM BRINDE A EVA! Que nos tirou daquele jardim infantilesco onde não nos era permitido questionarmos.

Um brinde a loucura, pois os loucos sabem como viver. Vivendo na harmonia da discórdia, aproveitam cada respiração que tem.

Tags:

Posted by: Rev. Peterson Cekemp | Fevereiro 22, 2008

Volta dos Radares Fixos em Santa Catarina

Uma notícia pegou quase todos os catarinenses de surpresa (alguém deve acompanhar a assembléia legislativa, pelo amor de Éris) nesta terça-feira dia 12. Os radares fixos (conhecidos pelo simpático nome de pardais) podem voltar às rodovias catarinas, devido à revogação de um projeto de lei que as proibiu em 2002.

O deputado estadual Elizeu Mattos do PMDB foi quem propôs o projeto de lei. Ele defende a iniciativa, segundo o Diário Catarinense, dessa forma: “O objetivo é humanizar as estradas. O que estamos vendo é genocídio e ninguém faz nada”.

Vamos então a uma opinião discordiana do fato: em primeiro lugar, por que os radares fixos foram proibidos? O projeto de lei que as proibiu é do Ex-Deputado Estadual Paulo Bornhausen. Na Ata da Seção Extraordinária de número 137 de 2006 do CETRAN/SC [.doc], assim está escrito:

[...] quanto ao excesso de velocidade o Inspetor Robson comenta que nas Rodovias de São Paulo os agentes estão fazendo experiências para saber quais tipos de motoristas transitam nas rodovias brasileiras e chegaram a conclusão que existem vários tipos, que é necessário analisar caso a caso; diz que lá efetivaram uma operação radar em três pontos diferentes da mesma via; dos que eram flagrados na primeira barreira e abordados, uns diminuíam a velocidade e consequentemente (sic) não eram flagrados nas próximas barreiras, outros eram flagrados também na segunda barreira e existiam ainda motoristas que eram flagrados na terceira, o que é absurdo pois afere a falta de educação dos motoristas; quanto ao fato da localização dos aparelhos medidores de velocidade entende que estes devem estar escondidos pois o objetivo é manter sempre o limite de velocidade da via; se o condutor não desrespeitar a sinalização consequentemente (sic) não será autuado; diz que o objetivo dos radares é primar pela segurança dos condutores e pedestres; assim, entende ser hipócrita a edição da Deliberação 52 que retorna a obrigatoriedade da sinalização de localização dos aparelhos; comenta que o objetivo de toda essa fiscalização é a diminuição do número de mortes no trânsito que chega a ser superior ao da violência urbana; [...]

E complementa:

[...] ainda, sobre o problema de fiscalização de velocidade, comentam o absurdo da Lei editada em 2002 pelo Deputado Estadual Paulo Bornhausen que proibiu o uso de radares fixos nas Rodovias Estaduais não ter sido considerada inconstitucional; em todo acórdão do STF o relator ressalta que a competência para legislar sobre trânsito é da união mas no voto se contradiz e dispõe que a lei é constitucional [...]

Paulo Bornhausen é conhecido por ter sido o primeiro deputado do DEM a levantar a bandeira contra CPMF - uma atitude de apelo popular, se bem pensarmos. Segundo uma pesquisa de teleopinião realizada terça-feira dia 12 pelo Jornal do Almoço da RBS TV*, 69% dos telespectadores que telefonaram não concordavam com a volta dos radares fixos. Ou seja, eles não são, e de fato nunca foram populares. Terá o apelo popular prevalecido em 2002? Sim, é o que tudo indica.

Mas por que o povo catarinense foi tão contra os pardais e continua resistindo à idéia? Em geral, ninguém gosta de tomar multa, e quando há sinalização ou lombadas eletrônicas as pessoas param, diminuem a velocidade, respeitam, porque têm consciência de que tomarão uma multa. Mas por que resistir tanto à idéia de radares fixos sem sinalização? Ora, o documento do CETRAN é claro e não poderia ser mais óbvio. Se alguém respeita a velocidade máxima, não será autuado, é simples. Sabe-se que com a sinalização nada avançou no campo de educação dos motoristas nem no da redução de acidentes.

Por outro lado, motoristas (e também Pedro Lopes, diretor-executivo da FETRANCESC, ainda segundo o DC) pensam que o sistema de radares fixos constitui uma indústria de multas; que eles são colocados em lugares impróprios e seus critérios de posicionamento são, portanto, apenas oportunistas. Ainda que fossem, isso não altera o fato de que os radares são configurados para autuar os motoristas em excesso de velocidade - portanto se a velocidade máxima for informada, não há irregularidade alguma em colocá-lo onde quer que seja.

Mesmo que os pontos errados sejam escolhidos, só há problema se os pontos certos não sejam escolhidos juntamente com os errados - e, para muitas pessoas, aí que estava o problema.

Mas qual a atitude a tomar? A radicalidade de proibir todos pelo mau posicionamento de alguns ou a transformação, a renovação do sistema através de um extenso estudo? Fingindo que a política funcione, a segunda opção seria melhor. Agora, pode servir o pessimismo para nos conduzir ao mesmo pensamento de “A política não funciona, logo é melhor não aprovar os pardais pra que eles não sejam mal administrados”?

Segundo o Deputado Elizeu Mattos, em pronunciamento feito dia 7 de Fevereiro de 2008:

Outra questão que me traz à tribuna [...] é a carnificina, o genocídio nas rodovias do país, em especial de Santa Catarina. Santa Catarina conseguiu ser a primeira no ranking. Se fosse uma verdadeira vitória ser a primeira no ranking brasileiro, estaríamos festejando, mas estamos chorando por esse primeiro lugar que estamos ganhando em matéria de acidente de trânsito em nossas rodovias. E somos um estado pequeno. Eu não tenho medo de defender aqui algumas coisas, e na próxima terça-feira, [...] apresentarei um projeto que, às vezes, poderá não ser simpático. Às vezes, poderá ser antipático o projeto que vou apresentar, mas entre o bolso e a vida, vou ficar com a vida, eis que quero poder passear nos finais de semana, com a minha família, sem medo. E quero chegar ao destino. Agora, não podemos mais conviver com a loucura que foi feita no trânsito das rodovias do nosso estado. É lógico que há alcoolismo, sim[...]. As pessoas não se controlam, bebem, acham-se os donos das rodovias, [...] e pisam forte no acelerador. Mas para mim o grande problema de tudo é o excesso de velocidade. Aquele que bebe antes de dirigir, quando pega o volante, o pé fica pesado e não respeita os limites de velocidade. Então, se o pardal é um mal necessário, na terça-feira vou apresentar um projeto propondo a volta dos pardais, mas com um critério que não seja o caça-níquel e sim o de salvar vidas. Esse será o critério do projeto que vamos apresentar aqui na próxima terça-feira: não arrecadar dinheiro e sim salvar vidas.

Enfim, a polêmica continua. Hipocrisia dos motoristas, combinado com pessimismo na política? Se deixarmos essa combinação ir adiante, poderemos sofrer com as aftermath

Fontes: Diário Catarinense, CETRAN/SC, Assembléia Legislativa de SC

Tags: , ,

Posted by: Rev. Peterson Cekemp | Fevereiro 20, 2008

Um adendo ao Calendário Discordiano?

O projeto do novo calendário santo-discordiano foi feito pelo Santaum (por isso o prefixo santo), mas não muda nada no calendário em si. O que muda é a contagem das horas do dia.

Idealizado pelo Santaum, e produzido em geral por ele e por mim (Rev. Peterson Cekemp). Em seu blog (santaum.org) ele fez algumas postagens sobre o assunto, mas como pensei que elas não eram muito esclarecedoras ou mesmo didáticas, resolvi fazer uma postagem sobre isso no Orkutcídio. Acessem aqui e dêem sua opinião aqui, lá, tanto faz, mas digam o que acharam!.

Tags: ,

Posted by: timoteopinto | Fevereiro 6, 2008

Número 1

Faça o download aqui

Tags: ,

Posted by: timoteopinto | Agosto 21, 2007

Operação Mindfuck Hihicroned

Em toda tua existência você tem sido cuidadosamente monitorado e controlado. Tu és um escravo do Status Quo. Como o resto da população mundial, você é um zumbi.

Quem está te fazendo isso?

Quem está te forçando a entrar na Camisa de Força da Realidade?

Tu estás.

Sim, tu. Tu és um escravo da sua própria mente.

Sua mente diz a você o que não pode, o que não deve, o que não é permitido. E tu acredita nisso.

Sua mente diz a você que tu não será bem sucedido, e pronto! Você falha. Você falha, por que você acredita no que o ’senso comum’ diz a você!

Então exploda sua mente!

Cáia fora do ’senso comum’. Esqueça a Realidade. As Leis da Física são apenas diretrizes de qualquer forma.

Abra seus olhos e veja como sua mente mente pra você.

Sua mente te diz que uma espécie de papel colorido é dinheiro, mas o outro é sem valor. Sua mente te diz que palavras em papel são mais verdadeiras do que palavras faladas. Sua mente te diz que você tem que ser bem-sucedido. Sua mente quer ver padrões, quer se conformar.

Exploda sua mente!

Acorde!

Veja o mundo pelo o que ele é. Um lugar caótico, com humanos tentado ver padrões aonde não há nenhum. Não há padrões a menos que você queira que eles estejam lá.

Não há regras a não ser que você as faça.

Hihicroned é a chave. Hihicroned irá tirar a mente do seu caminho. Hihicroned pode calar sua mente por uma fração de segundo, permitindo-lhe experimentar o mundo por alguns segundos.

Exploda sua mente!

E quando você fizer isso, compartilhe o divertimento. Faça alguma coisa. Qualquer coisa. Desde que seja Hihicroned, desde que seja divertido, desde que NINGUÉM fique machucado.

Mas lembre-se, você não pode fazer alguém ver. Eles tem que fazer isso por si próprios. Exploda sua mente e outros o seguirão.

Isso é a Operação Mindfuck Hihicroned.

Posted by: timoteopinto | Agosto 20, 2007

O Cão de Pavlov e O Gato de Schrödinger

      por Papa Duubhglas Juarezzz      

( I ) 

Pééé! 

Esse era o som da campainha. É, eu sei… Uma grande bosta, mas com o tempo você se acostuma. E depois de um tempo, você até sente falta quando viaja. 

Mas, quando se é um cachorro, você não viaja muito. E se você é um cachorro inteligente que assiste tv, você descobre que em algumas viagens, os cachorros não voltam. Mas isso não impede de você abanar a porra do rabo toda vez que vê o dono balançar a chave do carro. 

Se você é um cachorro inteligente de verdade, você não vê tv. 

Eu sou um cachorro de 1931. 

Não precisa ser inteligente de verdade pra saber que em 1931 não existia tv, mas se você é inteligente de verdade, você não está nem aí pra isso; aliás, você está lendo um texto escrito por um cachorro! 

Eu sou um cachorro russo, nascido em 1931. E meu ex-dono era um russo com fetiches por cachorros. 

Meu ex-dono era um russo com fetiches por salivação de cachorros. Agora, eu vivo com um austríaco que gosta de manter gatos dentro de caixas. Pelo menos eu não preciso mais ter vergonha de salivar. 

( II ) 

Uma das vantagens de ser cachorro é que você é idiota demais pra saber de antemão que você vai morrer. Humanos não. Humanos se assustam com a possibilidade de morrer. Alguns dizem que os animais sabem instintivamente do ciclo da natureza e simplesmente não temem a morte por que ela é algo natual. Eu sou um cachorro, e digo que se soubesse quando eu vou morrer, eu choraria feito um recém nascido. Sim, sim…

Paradoxal, não? 

Humanos se assustam com a possibilidade de morrer e ainda assim têm esperança em depois da morte. Se eu soubesse quando eu vou morrer, eu choraria feito um recém nascido. Quando você sai do útero, é como a morte. Você não faz idéia de para onde está indo. Imagine irmãos gêmeos, com sua linguagem de feto, num papo altamente filosófico: “Você acredita que existe vida depois do útero?” “Isso é besteira, rapaz… Depois daqui acabou.” “Eu gosto de acreditar que tem alguma coisa…” “Ah, isso é para os fracos…” Depois do útero, acredito que o pensamento seja algo tipo: “Merda, o útero é tão bom… Por que tenho que morar do lado de fora?” E durante a vida, as pessoas conversam se existe vida depois da morte… E essa crença faz muitas pessoas terem vontade de viver. Sim, sim… Paradoxal, não? Do útero pra esse mundo… bizarro. Uma grande queda de qualidade não? E ainda assim, esperam muito do que vem depois… Acho que as pessoas depositam muita fé na morte. Quando você sabe que vai morrer, seu coração amolece. Você quer consertar as merdas que fez durante a vida. Mas não todas, só as que te atormentam. Aquelas que você teve orgulho demais pra se desculpar enquanto tinha tempo hábil pra isso. Aquelas que te acordam com pesadelos de noite. Que te fazem ter medo de escuro quando você não tem medo de nada. Mas você sente que sua missão é, de alguma forma, tentar compensar. O que não parece ser muito justo, pois uma boa ação não perdoa uma má ação. Ela só melhora o julgamento das pessoas sobre você. Quando melhora… Mas o que conta são as aparências, não? De qualquer maneira, você quer fazer algo pra compensar. Mas pra quê? Pra limpar o nome do “livro da vida”? Se não, você vai para um lugar ruim depois da morte? Se a lógica é essa, antes de ir parar num útero, todos os que estão nesse universo devem ter cometido atrocidades vergonhosas para ter vindo parar aqui. Só uma pequena observação: “atrocidades vergonhosas” pode parecer pleonasmo, mas não é. É uma questão de julgamento. 

( III ) 

Todo dia, o barbudo trazia meu alimento, e em vez de me entregar de uma vez, gostava de me ver salivar, esperando ansiosamente aquele pedaço de pão. Russos não sabem alimentar cães muito bem, presumo eu. Eu não tenho muita experiência em alimentar cachorro, só em ser um cachorro alimentado. Pão não é grandes coisas… Mas é melhor que nada. É suficiente para que eu salive. Digo, hoje em dia. No começo, eu não salivava. Achava absurdo alimentar cães com pães. “Cães com pães”. “Cães com pães”. “Cães com pães”. Legal, não? Vai ver foi num trocadilho desses que surgiu o cachorro-quente. Como eu disse, eu achava absurdo ver aquele monte de cães salivando por pão. Me recusava a ceder para um fetiche por saliva canina de um russo barbudo. Mas comia o pão. Era tudo que eu tinha pra comer. E o tempo foi passando, e o tempo é uma droga que você tem que tomar mesmo sem que te receitem, e ele te deixa sucetível a qualquer merda. O tempo te deixa suscetível a qualquer merda mesmo. Mesmo. Até salivar por pão. Um cão salivar por pão! (Sem piadinhas dessa vez, desculpe. Eu tenho senso de ridículo - infelizmente) Acabei cedendo, para a felicidade do russo barbudo. Em 1935, a saúde do barbudo já não era a mesma. E o prenúncio da morte veio com pacote completo. Isso inclui arrependimento. E ele decidiu dar a todos os seus cães uma vida melhor, com esperança. Mas o barbudo era velho, e ele sabia que acabar com um hábito tão importante poderia abreviar ainda mais sua vida. Mas o barbudo era velho, e ele estava desesperado por salvação. Coitado. O russo barbudo decidiu escolher um cachorro para ser salvo. Salvo… Rá! Salvo dele. Quem, nesse universo, está a salvo de verdade? Alguns dos cachorros eram muito idiotas para pensar, e ele gostava disso. O russo barbudo com fetiche por saliva de cachorro gostava dos cachorros que atendiam suas espectativas sem questionar nada. Alguns cachorros eram espertos demais para pensar, e ele gostava disso. O russo barbudo com fetiche por saliva de cachorro gostava dos cachorros que atendiam suas espectativas sem questionar nada. Ele tinha que escolhar um cachorro mediano. Ele tinha que escolher um nem-que-sim, nem-que-não. Ele tinha que me escolher. Ele tinha que me escolher… Ele tinha que me escolher?! LOGO EU?! 

( IV ) 

Um russo barbudo com fetiche por saliva canina jamais admitira publicamente seu fetiche. Ele sempre achou que ninguém aceitaria. Jamais tentou contar pra ninguém seu fetiche. Russo. Barbudo. Fetiche por saliva. Saliva canina. Só uma pequena observação: Russo barbudo não é pleonasmo. É clichê. Aposto que se o russo procurasse, ele conseguiria achar alguém que gostasse de observar cães salivando. Aposto que se o russo achasse, ele teria nojo dessa pessoa. Aposto que o russo tinha nojo de si mesmo. Como todo mundo, TODO MUNDO, o russo tem nojo de algum aspecto em si próprio. Aposto que se o russo procurasse, ele talvez encontrasse um amigo que gostasse de observar cachorros salivando e que não tem nojo de si próprio. E seria um amigo canino. Cães não tem muito nojo… Vai ver é por isso os cães são os melhores amigos do homem. O russo barbudo nunca conseguiu se aproximar de ninguém, pois não conseguia manter uma amizade guardando esse segredo. Não conseguia criar vínculo. Isso o afastava das pessoas. Como todo mundo, TODO MUNDO, o russo foi mesquinho, e maquiou sua própria perversão. Para o mundo, ele não tinha fetiche por observar cães salivando, ele ESTUDAVA comportamento canino. Aliás, ele estudava comportamento. Não faz a menor diferença para mim ou qualquer dos outros cachorros. Não faz a menor diferença pra ele. Ele ainda sente nojo de si próprio, e ele ainda continua com seu fetiche. Pessoas com o vícios parecidos têm o costume de criar grupos de apoio para perpetuar seus vícios. O russo barbudo não tinha amigos, mas algumas pessoas consideravam seu hábito de observar cachorros salivando como uma ciência séria. Numa dessas reuniões de cientistas sérios, em 1935, em algum lugar da Europa, o russo barbudo conheceu um austríaco maníaco. “Austríaco maníaco”. “Austríaco maníaco”. “Austríaco maníaco”. Soa engraçado. Então… O austríaco maníaco tinha fetiche por gatos trancafiados. Gatos trancafiados. Isso mesmo. E não é tudo. Ele tinha fetiche por trancar gatos em caixas seladas e com armadilhas dentro. E observar. Coitado do gato. Mas pelo menos, ele me alimentava muito bem. Eu já havia esquecido dos meus parentes comendo pão. E muito provavelmente, a consciência do russo barbudo estava limpa. Missão cumprida. 

( V ) 

Depois de alguns meses de alimentação saudável, passei a me parecer mais com um cachorro, fazer mais coisas de cachorro. Alimentação saudável quer dizer que eu não estou comendo mais pão. Não que o que eu esteja comendo seja uma maravilha, mas também não é uma porcaria, tipo… pão. Com meus instintos caninos de volta, decidi fazer o que qualquer cão são faria desde o primeiro dia na casa do austríaco maníaco. “Cão são”. “Austríaco maníaco”. “Cão são”. “Austríaco maníaco”. “Cão são”. “Austríaco maníaco”. Dessa vez foi pra não perder o costume. Então… Decidi atacar um gato. Como é que eu não tinha pensado nisso antes? Ah, sim… Lembrei… Estava muito ocupado perseguindo pães. Alguns hábitos demoram a serem esquecidos.. . Essa maldita mania por segurança. Então… Gatos. Decidi atacar um gato. O austríaco maníaco tinha muitos gatos. E muitas caixas. E muitas armadilhas. Um gato específico me chamou atenção. Não o mais idiota, nem o mais esperto. Um gato mediano. Um dia, um desses “cientistas sérios” veio visitar o austríaco maníaco. E ouvi a conversa dos dois. O austríaco maníaco diz que tranca gatos em caixas com uma armadilha especialmente preparada, que tem 50% de chance de disparar. O austríaco maníaco diz que, enquanto a caixa está trancada, o gato está 50% vivo e 50% morto, devido às probabilidades. Só quando se abre a caixa e se constata o estado de saúde do gato, uma das probablidades, vivo ou morto, se projeta. Antes, o gato estava tanto vivo quanto morto. Ao mesmo tempo. É o cara mais louco que eu já vi. O austríaco maníaco geralmente dava palestras sobre gatos em caixas com armadilhas para públicos grandes. Mas dessa vez era diferente, alguém havia o procurado em sua residência empolgado com a idéia. Ele tinha que demonstrar. Ele tinha que demonstrar com algum gato. Ele tinha que demonstrar com um gato que não fosse o mais idiota e nem o mais esperto. Um gato que não fizesse falta. Ele tinha que demonstrar com um gato medíocre. Ele tinha que demonstrar com o gato que eu havia escolhido atacar. Ele tinha que demonstrar com o gato que eu havia escolhido atacar… Ele tinha que demonstrar com o gato que eu havia escolhido atacar?! LOGO ELE?! Se o gato fosse pra caixa, ele estaria protegido. Protegido de mim… Mas quem ía proteger o gato da caixa? E eu queria atacar o gato. Eu queria matar o gato. E com o gato na caixa, por alguns instantes, ele estaria vivo e morto. Ao mesmo tempo. Mas eu queria atacar o gato. Tirar a vida do gato. Matar o gato. Assassinar o gato. O austríaco maníaco pegou uma caixa. O austríaco maníaco pegou o gato. O que eu havia escolhido. O austríaco maníaco pegou uma armadilha. Nessa hora, tomei uma decisão. Antes do austríaco maníaco selar a caixa, sem que ele percebesse, entrei na caixa. O austríaco maníaco selou a caixa. Selando a caixa, a armadilha estava preparada. Por alguns instantes, eu estive vivo e morto. Ao mesmo tempo. E fiquei confuso se deveria matar o gato ou não. Aliás, eu não sabia se eu estava vivo ou morto. Eu não sabia se o gato estava vivo ou morto. Se eu estivesse morto, como eu iria matar o gato? E se o gato já estivesse morto, pra quê matar o gato? Por garantia, decidi morder o gato. Do meu ponto de vista, parece-me 100% morto. Mas o austríaco maníaco sabe mais sobre gatos em caixas a mais tempo que eu. Então, o gato está 50% vivo e 50% morto ao mesmo tempo. E então, a armadilha dispara. A armadilha disparou. A armadilha que era pro gato, disparou. E acertou em mim. A armadilha que era pro gato acertou em mim. Eu morri. Morri. Eu morri. Morri. Morri. Estranho, mas eu estou 100% morto. 100% morto. Merda! Acho que a armadilha deixar 50% vivo e 50% morto ao mesmo tempo só funciona com gatos. Merda… Queria saber se, depois da caixa ser aberta, o gato vai ficar 100% vivo ou 100% morto. Merda! Merda… Queria ver a cara do austríaco maníaco quando abrir a caixa. Merda! 

Posted by: timoteopinto | Agosto 17, 2007

Manifesto da Filosofia Bozo

por Reverendo Ibrahim Cesar

Não, os filósofos que seguiram a auto-denominada Filosofia Bozo jamais se levaram a sério. Na verdade, de acordo com o ponto de vista de muitos deles, não havia outra forma de se levar. O principal ponto de ruptura que caracterizou o movimento como uma filosofia diferenciada foi que, se antes tentava-se entender o mundo ou ensinar aos homens o-que-quer-que-seja, isso foi totalmente desprezado pela Filosofia Bozo. Que declarou por um de seus porta-vozes:

“Nosso objetivo é matá-los. Matá-los de rir.”

Ora, dizem eles, caso a filosofia se ocupasse de julgar um dos grandes assuntos e chegasse a um veredito sobre isso, digamos sobre a existência ou a não-existência de deus, que impacto isso teria?

No dia seguinte a tal veredito, de certo as pessoas acordariam como todas as outras manhãs, fariam suas coisas e viveriam como todos os outros dias

A Filosofia Bozo apenas assumiu o que se sabia desde sempre: Não é possível ensinar a quem quer que seja aquilo que ele já acha que sabe.

DEFINIÇÃO DE FILOSOFIA BOZO

A Filosofia Bozo não têm definição e isto vêm direto das páginas do Principia Discordia como muitos devem ter notado. De fato é altamente documentado que os primeiros a aderir ao movimento eram de fato discordianos ou simpatizantes e usaram muitos conceitos discordianos em seus trabalhos.

Rev. Ibrahim Cesar chegou a declarar que a Filosofia Bozo guardada as devidas proporções era uma tentativa de criar um discordianismo laico. Muitos detratores tentavam denunciar essa ligação da Filosofia Bozo com o Discordianismo, como o objetivo de uma se parecia muito com que no Discordianismo se chama Operação:Mindfuck. “A Filosofia Bozo não passa de Mindfuck!” declaravam aos berros ao que eram respondidos em meio a troças deles: “Dizer que a Filosofia Bozo é Mindfuck, é Mindfuck”

Eles queriam resgatar o protagonismo da filosofia que hoje não passava de uma tia velha que ninguém mais dá atenção.

“Estamos cansados de filosofos dedicarem suas vidas a reinterpretarem Nietzsche, Hegel e Kant. Eles estão mortos. A morte sempre teve uma importância fundamental no pensamento humano pois ela elimina os conservadores da geração anterior, relutantes em abandonar uma teoria velha e falaciosa para adotar uma nova e mais precisa. A Filosofia Bozo é imediatista. Queremos falar do aqui e agora e não rever a moral da Grécia Antiga.”

Foi no Manifesto da Filosofia Bozo publicado pela primeira vez na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger que Rev. Ibrahim Cesar declarou iniciado o movimento com estas palavras: “Eu sou Rev. Ibrahim Cesar e estou me citando na terceira pessoa a fim de conseguir a tão almejada imparcialidade. Eu declaro que a Filosofia Bozo começa em 5,4,3,2,1…AGORA!”

Posted by: timoteopinto | Agosto 16, 2007

Manifesto Clarifesto - Menos é Mais

por Reverenda Yuko Ichihara

Eu não sei nada sobre as pessoas e isso é muito! E poucas pessoas sabem muito sobre outras pessoas, já que a maioria das pessoas pensa saber muito sobre as pessoas. Talvez saibam sobre uns e outros…Conhece a ti mesmo? Impossível se cada um é um universo, imagina conhecer outras pessoas, saber sobre outras pessoas? Poucas pessoas se conhecem, e eu me conheço muito pouco e isso é muito! Assim, dessa maneira, menos é mais e mais é menos! E eu não sei nada, ninguém sabe nada, o que é muito!Muitas pessoas pensam saber alguma coisa e saber alguma coisa é pouco comparado a não saber nada!”Tudo que sei é que nada sei” , só que eu nem sei o que é tudo, então eu nem sei o que é nada! Menos é mais !!! Então nada é tudo e tudo é nada…

Manifesto Clarifesto=Tudo é Nada?

 fnord Tudo é Nada?Não saberemos nunca. Mas, e se eu souber? Como é que faço pra saber se sei? Então o “talvez” seja o “nunca” fnord disfarçado de probabilidade! E as probabilidades de eu saber nada sobre mim nunca serão reais, bem como verdadeiras, bem como saber tudo! Então “não sei” é o “sei” disfarçado de resposta! Ou de pergunta? Salve Èris

Clarifesto Manifesto=Preço da Vaca

Então, de novo, o negócio é o seguinte: O preço da vaca é cento e vinte!(R$120,00)…Existem gnomos que costuram sua meia rasgada por bem menos e você não precisa ter uma vaca que custe R$120,00. Também existem fadas do dente que levam os dentes caídos por R$120,00, só que como poucas pessoas possuem dentes de ouro , e ou, com amálgamas de prata , então, dificilmente elas aparecem para comprar o seu dente…E por aí vai! O negócio é o seguinte: tenha uma vaca de cento e vinte que seus dentes ficarão na sua boca e suas meias sem rasgos…

Clarifesto Manifesto=23 anos

Eu queria ter 23 anos pra sempre!2003 foi o ano da Multicabala Lispectoriana, porque esse número é o cabalístico erisiano…E eu que finjo…Enfim, como será que Èris se comunica com glândulas pineais em período de TPM? Na verdade o período de tensão pré-menstrual em garotas regidas por Éris se converte em Tentativa Pineal Magnânima (TPM)!!! Nesse período, garotas FNORDS têm sua comunicação expandida com a deusa e causam o caos em seus lares e adjacências…Quanto mais forte a TPM, mais regida por Èris é…Uma expansão do espectro super estendida chegando ao espectro gama ou nanomicrondas. E Èris nos fala através do sangue perdido: “Eu sou uma cadeira e uma maçã e eu não me somo”

11:59(1½ horas atrás) Clarifesto Manifesto= 5 propostas

1. Se é cada um com seus problemas, então façamos um mercado de pulgas de problemas…A cada problema comprado garantimos uma plástica para aumentar a parte de trás da sua orelha

2. Vamos distribuir nossos problemas de graça e as pessoas que aceitarem os problemas, terão direito á 120 vacas ordenhadas por fadas ou gnomos…O leite será dourado , pois vacas ordenhadas por gnomos têm o leite coado e pasteurizado em meias de fio de ouro, que provêm dos dentes comprados pelas vacas…

3. De agora em diante tenho apenas 23 anos

4. “Quem escreve ou pinta ou ensina ou dança ou faz cálculos em termos de matemática, faz milagre todos os dias. É uma grande aventura e exige muita coragem e devoção e muita humildade” -Clarice Lispector

5. Menos é mais

Clarifesto Manifesto=Clarice Lispector

Clarice Lispector é nossa patrona gran sacerdotisa mor…não há o que dizer a não ser, MENOS É MAIS! “Mas já que somos pouco e portanto só precisamos de pouco, por que então não nos basta o pouco? É que adivinhamos o prazer. Como cegos que tateiam, nós pressentimos o intenso prazer de viver.” “Dar a mão a alguém sempre foi o que esperei da alegria. Muitas vezes antes de adormecer- nessa pequena luta por não perder a paciência e entrar no mundo maior- muitas vezes, antes de ter a coragem de ir para a grandeza do sono, finjo que alguém está me dando a mão e então eu vou, vou para a enorme ausência de forma que é o sono. E quando mesmo assim não tenho coragem, então eu sonho.”

« Newer Posts - Older Posts »

Categories