Ferramentas de realidade e distorsões de realidade

Em uma visita recente que fiz à casa de um tio em Blumenau o namorado de minha prima me falou de seu professor de matemática. Sujeito maluco, bem Einstein-like, que tinha umas filosofias muito profundas. Contou-me que uma vez ele colocou no quadro, antes de começar a aula, a frase: “Os espelhos deviam pensar antes de refletir”.

Estou há algum tempo tentando deduzir algo daí. A primeira impressão que tive foi a da frustração que, por exemplo, uma pessoa que se considera feia tem ao se olhar no espelho – ou seja, essa frase é uma ironia, pois representa o pensamento de toda as pessoas diante do espelho, pois ele não mente. Ou seja, é sincero demais -> “Esse desgraçado devia pensar antes de refletir!”.

Só que, penso eu, tem que haver algo a mais. Não pode ser só isso. É certo que os humanos de vez em quando complicam as coisas, então pode mesmo ser só isso – uma ironia muito simples. Mas, ainda assim, procurei por mais significados, e achei um interessante.

Na verdade, o significado só seria válido se a frase fosse invertida: “Os espelhos NÃO devem pensar antes de refletir”. Por que? Porque veja, hoje o que temos são espelhos que simplesmente… Refletem a luz. A luz que chega aos nossos olhos e, através de vários processos que ocorrem no nosso olho e no nosso cérebro, nos faz ter uma idéia de como o mundo é, fisicamente. Se os espelhos pensassem antes de refletir, eles poderiam mentir; poderiam ajustar a realidade para nos transmitir imagens erradas – ou seja, eles controlariam a nossa realidade. Estaríamos completamente subordinados a eles.

Se é verdade que as pessoas agem de acordo com o que elas consideram ser a realidade – aquele teorema de Thomas – então quem realmente controla as pessoas é quem tem controle sobre sua realidade.

Quem tem controle sobre nossa realidade hoje? A mídia? Talvez, mas não apenas ela – qualquer um de nós “reflete” informações pensando. Inevitavelmente, sem perceber, “refletimos” pensando. Não somos espelhos; não somos ferramentas que podem ser usadas pra descobrir a realidade, somos justamente espelhos pensantes, que distorcem a realidade. Mas a mídia é algo realmente interessante: ela é um espelho que reflete direta e indiretamente para todas as pessoas. A imparcialidade pode não existir, mas é um nobre objetivo – fazer com que o jornalista seja o máximo possível uma ferramenta de realidade, não uma distorção dela.

Tantas voltas pra chegar à mesma velha conclusão: não existe “a” verdade. Todos estamos recebendo informações refletidas por seres que a alteram, de qualquer forma que seja. Mesmo a mais bruta das experiências passa pelos nossos próprios filtros.

Existe a probabilidade de verdade, existe a utilidade de uma verdade, existe o grau de conforto de uma verdade… Enfim. Conclusão óbvia.

Mas vai, foi legal enquanto durou… =P

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2 respostas para Ferramentas de realidade e distorsões de realidade

  1. Pingback: Botando a fucking mão na massa! « Discordia Brasilis

  2. Darto" disse:

    >reagem de acordo com a realidade>quem controla a realidade controla a reação>todo mundo afeta[controla] a realidade>reagem de acordo com a realidade>

    Curtir

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